Murilo Gun

Quem está online

Temos 22 visitantes em linha

Enquete

O que você achou do nosso site ?
 

Assista

Parceiros

Admmauro Gomes

Siga-nos



PERSE VITAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

O frade Bruno Palma, o maior e melhor tradutor e crítico de Saint-John Perse no Brasil, o Prêmio Nobel francês alcançado graças à obra poética,

acredita na recriação do mundo pela poesia. “De fato, na operação poética, segundo a concepção persiana, há algo de demiúrgico, pois o poeta, dando nome às coisas, pretende fazê-las aceder a um modo de existência mais verdadeiro e mais perfeito. Para ele, nomear as coisa é criá-las (tal Deus através do fiat), como para a criança e o homem primitivo, consoante à própria palavra (sílaba da fundação)”.

 

(Para a criança não há grande diferença entre verbo e objeto, entre ser e fazer. A criança acreditar na necessária correspondência entre palavra e coisa, em diferença de essência, sem hiato. É como se ao nomear algo passasse a existir).

Saint-John Perse, conforme Palma, estabelece a “Lei de equivalência, em poesia, entre a linguagem e a realidade”, afirmando que “a função do poema... é de tornar-se, de viver e ser a própria coisa... e não mais o tema, anterior ao poema”.

Bruno Palma afirma que Perse pretenderia ser demiurgo por tentar igualar à criação divina. E demiurgo, segundo Platão, é o artesão divino ou o princípio organizador do universo. Ou ser intermediário entre Deus e a Criação.

Parafraseando Perse, eu diria: Nomear, criar! quem pois em nós criaria, gritando o nome novo, senão Deus ou o poeta? Essa lei persiana (legislação demiúrgica) da equivalência da palavra, do nome e da coisa nomeada, do fiat e da luz do fiat do mundo que causa identidade de poeta e objeto do poema, é vital à poesia que se pretenda não só moderna, mas pós-moderna e neoposmoderna.

Perse estava ciente e consciente da impossibilidade do poeta comunicar-se. Para falar com a multidão, o poema prescinde do uso da palavra poética porque imperfeito para tal e portanto inútil. Daí embaso a tese que desenvolvi num ensaio: Poesia, inútil e necessária.

 

 

Comentar


Código de segurança
Actualizar

INFORMA DIGITAL

Revista Urubu

Singular

Papel Jornal

Jornal O Monitor

Textos Agrestes