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LABIRINTO (DESCRIÇÃO) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Cinzas (ou pós) caíam

ao limbo da manhã engaroada

da porta do ínvio elemento.

 

O labirinto era todo ladrilhado

de hematomas macios e cruas cruzes

de limeira o atravessavam inviamente

papeis de parede escuros

habitavam os muros

que tapeçarias de entranhas

adornavam.

 

Sobretudo revestiam as paredes

dos iníquos corredores urros.

 

Extremamente mobiliado

com decoro e pestilência

o labirinto detinha

sofás imersos em dura penumbra.

 

E partos abertos como

a abortar áticas moçoilas

ou jovens argivas.

Além de todo decorado

de sombras azuladas o quarto

do Minotauro tomava

o centro inteiro do labirinto

circundado de biombos cinzentos

impermitindo observar as devorações.

 

E lápides jovens brotavam

do pé dos muros esquerdos.

 

Luas negras foram penduradas

com especiosa candura

nas esquinas dos vãos

e nos ângulos vazios dos atros

corredores hexagonais

(que Borges bem conhecia).

 

O labirinto que descrevi

tinha forma de cruz velada.

 

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