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AUGUSTO POETA ABSOLUTO DOS ANJOS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

É AA o primeiro poeta absoluto do Brasil, nos moldes e arcabouços conceituais desenvolvido por professores e alunos da FAMASUL (complexo universitário municipal de Palmares-PE).

À FAMASUL integra um corpo ou uma plêiade de professores de literatura (Admmauro Gommes, Ricardo Guerra, Wilson dos Santos, compondo um dinâmico e criativo departamento de literatura dirigido por João Constantino). Do time da FAMASUL também se distingue Marcondes Torres Calazans. O prof. e utopista prático José Rodrigues, na condição de ex-professor de Direito, ainda integra, na condição de mestre excelso, a plêiade referida, sendo hoje estrela da ecologia da Mata Sul, responsável pelo retorno dos pássaros, preguiças, tejus, entre muitas espécies da Mata Atlântica, ao chão, à terra generosa dos Palmares e região.

O filho de Dona Córdula e do Dr. Alexandre Rodrigues dos Anjos foi um gênio da raça. Ou, no modo de dizer de Pound, antenas do tempo humano.

Agnóstico, darwinista, lírico supremo, conhecedor das mais modernas e avançadas teorias científicas da época (fin de siècle e começo do XX), além de dominar um campo vasto de física, biologia, paleontologia, zoologia e direito, Augusto dos Anjos (AA ou A²) foi um fenômeno, e sobre ele fala o poeta Manuel Bandeira.

“Acreditava em Deus? Acreditava e rezava as preces católicas. Mas na sua poesia a concepção do universo não é ortodoxa, tem algo de maniqueista, opondo ao mundo do espírito, ao mundo de Deus, o mundo da matéria, evoluído segundo a teoria darwinista, o mundo da força cósmica furiosa”. A consciência poética desse duelo terrível é que alimentava a angústia metafisica de Augusto dos Anjos e o fazia delirar em “cismas patológicas insanas”.

A professora Lúcia Helena da UFRJ complementa Bandeira.

“É provável que Manuel Bandeira tenha utilizado o termo metafísica no sentido usual e restrito de filosofia: de indagação transcendental. Qualquer que tenha sido, no entanto, sua posição frente ao termo, é sintomático que em “angústia metafísica” o elemento determinado é angústia”, Ela, e não a metafísica, é o elemento fundador da poesia de Augusto. Assim, o que há de “angústia” no texto do poeta não pode ser identificado, nem sustentado, pelo dualismo matéria/espírito. Não se verifica esta oposição e, sim, um tratamento poético dado à “angústia”.

Dirceu Rabelo, especialista em AA, cita Órris Soares, que define a poesia do vate paraibano como presença da realidade metafísica.

A respeito do processo de criação poética de AA, Órris Soares diz.

“De certa feita, bati-lhe às portas, na Rua Nova, onde costumava hospedar-se. Peguei-o a passear, gesticulando e monologando, de canto a canto da sala. Laborava, e tão enterrado nas cogitações, que só minutos após, deu acordo de minha presença. Foi-lhe sempre este o processo de criação. Toda arquitetura e pintura dos versos as fazia mentalmente, só as transferindo ao papel quando estavam integrais, e não raro começava os sonetos pelo último terceto”.

Fisicamente, ninguém melhor que o romancista (de A bagaceira) e político paraibano, José Américo de Almeida, definiu AA:

“Mais alto do que baixo, franzino e recurvo, tez encerada de moreno pálido, a fronte alongada e uns grandes olhos sem mobilidade. As mãos eram afiladas e moles, mãos de tímido. (...) Usava bigode mínimo, como um debrum. O andar era inseguro com os ombros lançados para a frente e o peito mais reentrante do que o seu natural: um passo leve, tateante, como se marchasse na ponta dos pés”.

 

A MORTE DE AUGUSTO DOS ANJOS

A questão da idade em que morreu (aos 29 ou aos 30 anos) é uma das polêmicas que acompanham a fazem a saga do poeta-mor.

Chamo à colação, o acadêmico e grande poeta e ensaísta pernambucano Dirceu Rabelo, que sintetizou brilhantemente vida e obra de AA em opúsculo sublime, editado pela BAGAÇO, em 1994.

Dirceu faz três registros relacionados à morte do poeta de que trata este dossiê.

O primeiro diz respeito a uma desinformação quanto ao ano em que teria morrido o poeta. Todos os biógrafos dizem que ele nasceu em 20 de abril de 1884 e faleceu em 12 de novembro de 1914, portanto, com pouco mais de 30 anos. Entretanto, Órris Soares, que foi amigo do poeta e com ele conviveu de 1900 até a morte de Augusto, em duas passagens do Elogio de Augusto dos Anjos, assim se refere ao desaparecimento do poeta: “Quando a morte nos arrebatou Augusto, no plenilúnio dos seus vinte e nove anos, molharam-se-me os olhos e confrangeu-se-me o coração de desgosto”. E como se estivesse seguro daquela assertiva, diz mais na frente: “Augusto entrou na vida pelo ano de 1884, e dela foi violentamente arrancado no tétrico 1913”. No livro Augusto dos Anjos e as Origens de Sua Arte Poética (Livraria José Olympio Editora, Rio, 1942, pág. 72), o psiquiatra A.L. Nobre de Melo diz que o poeta “findou os seus dias, aos vinte e nove apenas, sem ter atingido, portanto, o limiar da maturidade”. Agripino Grieco também diz: “Depois foi para uma cidade de Minas Gerias dirigir um grupo escolar, e lá morreu aos vinte e nove anos de idade, mais cansado do que um octogenário”.

O segundo registro é sobre a enfermidade que teria ocasionado a morte do poeta. Inúmeros autores de ensaios sobre Augusto dos Anjos, inclusive Manuel Bandeira, Nobre de Melo e tantos outros dizem que ele morreu de tuberculose. Mas o psiquiatra Luiz Carlos Albuquerque, em seu recente e excelente ensaio intitulado Eu, singularíssima pessoa (Edição M. Inojosa, Recife, 1993, pág. 114), nos diz com todas as letras: “Compareceu a um sepultamento em um dia chuvoso, o que lhe trouxe uma infecção gripal, que evoluiu para uma pequena pneumonia dupla cujo resultado foi sua morte prematura, em 12 de novembro de 1914”.

O terceiro – e este é consabido de quantos já leram a respeito de Augusto dos Anjos – relaciona-se com a indiferença e até deselegância com que Olavo Bilac recebeu a notícia da morte do grande bardo paraibano, e aqui é lembrado tão-somente para referir uma nota de Gilberto Freyre, reparadora da injustiça que o grande parnasiano cometeu a Augusto dos Anjos, sem saber ele, Bilac, o quanto ia crescer, com o passar dos anos, o prestígio da obra poética daquele “tipo excêntrico de pássaro molhado, todo encolhido nas asas com medo da chuva”.

O episódio é assim lembrado por Francisco de Assis Barbosa (obra citada, página 29/30): “A morte de Augusto dos Anjos teve pouca ou quase nenhuma repercussão na Imprensa do Rio de Janeiro, a não ser pelo artigo de Antônio Torres, recordando o poeta com entusiasmo, artigo esse que incorporou a todas as edições publicadas por Bedeschi, de 1934 a 1961. (...). Dias depois de sua morte, ocorrida em Leopoldina, Órris Soares e Heitor Lima caminhavam pela Avenida Central (RJ), e pararam na porta da Casa Lopes Fernandes para cumprimentar Olavo Bilac. O Príncipe dos Poetas notou a tristeza dos dois amigos, que acabavam de receber a notícia.

- E quem é esse Augusto dos Anjos? – Perguntou. Diante do espanto de seus expectadores, Bilac insistiu:

- Grande poeta? Não o conheço. Nunca ouvi falar nesse nome. Sabem alguma coisa dele?

Heitor Lima recitou o soneto “Versos a um coveiro”. Bilac ouviu pacientemente, sem interrompê-lo. E, depois que o amigo terminou o último verso, sentenciou com um sorriso de superioridade:

- Era esse o poeta? Ah, então fez bem em morrer. Não se perdeu grande coisa.

 

 

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