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POESIA PARA QUÊ PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Sthéfane Mallarmé, um dos fundadores da modernidade poética, se obstinha em não agradar aos leitores mais sensíveis,

viciados no facilitário da compreensão. Exigia pois, do seu qualificado (e bastante inumeroso) leitor, suor compreensivo.

 

Mallarmé considerava a clareza poética, a frase conclusiva, o verso certinho uma graça secundária, afirma Valéry.

Poesia é para (nos) compreendermos e não para sermos compreendidos.

Quando acoimaram Mallarmé de obscuro, ele perguntava se a obscuridade provinha de insuficiências do leitor ou da poesia.

O poeta, dispara Mallarmé, não pode exibir o sentido do poema numa bandeja dourada à mão do leitor, senão não passará de um simples camelô da literatura, mercador de palavras bonitas, pio escultor de frases de efeito, a batear gemas pérolas, joias verbais preciosas mas sem valor poético real.

A verdadeira poesia está no que as palavras ocultem, e ao poeta cabe descobrir o que há além da palavra, que é exatamente a poesia, esse veio escuro, infrutífero, aparentemente, trabalhoso filão, mas nunca banal nem oferecido gratuita e meramente, de modo passivo e sem ventre, a mãos sacrílegas que buscam exibir na palma a pepita do sentido acabado, como trunfo, prêmio de compreensões profanas, vazias, superficiais.

O poeta nunca nomeia, como um governador, apenas sugere, firme assessoria, para difícil delícia do (e)leitor.

Em síntese: atender ao público ou ao crítico passiva e ordeiramente não é digno da poesia. É um vício, dano, fraqueza, que poeta deva combater.

Ocultar é próprio da poesia, que é (e sempre foi) mistério, sugestão imagética, provocação onírica. E não narrativa, cópia das coisas e tramas e veleidades e ilusões venais do copioso coração nunca demasiadamente humano.

Uma flor no inverno torna-se cisne.

Ou como disse Catulo: Vivamos e amemos sabendo que um níquel não vale os murmúrios (ou vastos gemidos) dos velhos mais severos.

 

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