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A POLÍTICA ABSOLUTA OU POÉTICA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Como eu estabeleci um modo de vida sui generis, em que a solidão é vital à produtiva e consequente utilização positiva de tal modo de usar a vida,

posologia autenticamente literária, em sua acepção maior, fruo hoje, três anos após o início da solidão, muito e bem da situação de eremita da literatura.

 

A solidão é o lugar e o suporte de minha escrita livre, em que liberei o id e libertei a imaginação de freios, algemas, correias, amarras, apresamentos quaisquer.

Como disponho, há cerca de mil dias, de, a cada dia deles, cinco horas a mais do meu tempo livre (isto é, ocupado em ler/escrever, que é pura liberdade), o resultado é 10, 20, 30 folhas, laudas ao leu escritas. Qualquer aritmética dirá: 5 horas ao dia somam 150 ao mês. E esse ganho de 5, 6, 7 horas a mais ao dia decorre apenas de não ver (nem ter para ver) TV. Teoricamente, posso aprender russo, com as horas extras retiradas do ábaco do tempo perdido no exercício de zumbi, que é a TV.

Daí, entre as 2 e 3 horas da manhã, eu escrevo essa notas assimétricas.

A poesia absoluta promove a eliminação do ato enunciativo (coração da prosa), porque não é discurso, ou é discurso indizível.

A enunciação é o ato de dizer e o poema absoluto é indizível por essência (natureza e definição). Também, é um ato eminentemente social, daí ser impopular por definição e natureza o poema absoluto.

O ato enunciativo diz (pois é o dizer efeito natural dele) e para o leitor que recepciona o que fica é o que foi dito etc. Trata então de acontecimento (exatamente o que aborrecia celeremente Valéry).

Daí, não ser preciso no poema absoluto (em sua leitura) perquirir o que se disse, o que foi dito, bem como outras procedimentos que digam respeito à análise operativa do “discurso poético”, em busca de resultantes (ou resultados práticos, ditos, bem ou não).

Como tal, por efeito, a poesia absoluta dispensa toda a parafernália crítica, todo o procedimental analítico (e em decorrência os respectivos e indolores controles) que tenha como sintoma, limite, finalidade óbvia a exata demarcação pessoal, interpessoal e institucional (portanto política, portanto ideológica, portanto legal) daquilo que o autor (poeta) disse, quis dizer, diria, dirá.

Outro daí: a poesia nunca deveria ser separável (segundo a crítica dominante) da editora, da universidade, da livraria, da biblioteca, que a dissemina, propaga: controla. Para que o xipófago não vire Frankestein. Ou a xipofagia não se torne frankesteinia

O campo do discurso, em especial, o poético, muito permeável, deve estar, como disse, legalmente enquadrado. E jamais “livre” para o que der e vier, a destruir sagradas convenções.

No campo da poesia, a lei aplicada é a da formalização do verso parnasiano, sistema de normas de escansão e regras de versificação que governam, administram, controlam, amoldam uma determinada e universal forma, o que por sua vez implica em controle do pensamento em geral (do todo, do povo, do estudante, do professor: se não fosse o professor, o sistema de poder dominante cairia mais rapidamente).

À gramatica, cabe o controle (correto) da escrita (legível).

O poema absoluto é subversivo, porque não se sabe bem exatamente o que diz (e o que o poeta diga deve-se saber previamente, sempre). O discurso literário deve ser regulado e abarcar um contexto concreto (e anacrônico), pois ele, o discurso, é um instrumento e um efeito do poder (fuzila Linda Hutcheon, cf. nota de um livro que César Leal me emprestou). Quanto ao valor ideológico, material do discurso literário, ouçamos Foucault: o discurso constitui um obstáculo, uma barreira, uma resistência para uma estratégia ou operação de oposição, à dominação, porém também é o ponto de partida, o início da sublevação criadora.

Como hoje a política está invertida, pois tal política destrói o homem e o mundo, para se opor à tal distorção a melhor posição é a da Poesia Absoluta.

 

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