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EXEMPLA - VCA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Quando ganhei, pela terceira vez, o Prêmio de Poesia da Academia Pernambucana de Letras, declarei de supetão, aos jornalistas que me entrevistaram,

ao ser indagado sobre meu sentimento poético, que “sou um poeta de alma seca - e se me emociono a mão treme e o poema não presta.” Ou sai inteiro quando deveria ser quebrado, o que o absolutizaria. Daí todas as matérias deram destaque ao 2º colocado, o livro SERTANIDADE de Carlos Severiano Cavalcanti. Com tal situação, já estava acostumado. Quando ganhei para Jaci Bezerra e Alberto Cunha Melo o Prêmio Nacional do Conselho de Cultura da Cidade do Recife, à época - 1985, o de maior bolsa financeira do Brasil - cerca de R$ 30.000 hoje, Marcos Prado, em sua coluna no DP, baixou a lenha e considerou Jaci o vencedor moral. Acontece que os três jurados eram nomes destacados no Rio e de São Paulo e César Leal presidia a comissão. O mesmo ocorreu em 2004, quando ganhei o prêmio BANDEPE/ABM - Holanda, de Cr$ 14.000,00, pelo fato de Cunha Melo não ter obtido o primeiro lugar. A propósito, Alberto foi meu amigo e mestre, a quem prezo sobremaneira.

 

Defendo a poesia hermética como forma de choque, como modo de chocar a poesia brasileira - e acordá-la do sono dogmático bilaqueano. Depois poderia até “fazer” um soneto.

No entanto, a pregação contra o sentimento em poesia, de que o poeta não é um “inspirado,” porém meramente “pirado,” tem razão de ser. Na FAMASUL, houve insurgência contra tal posicionamento irracional mesmo, dentre uns 10 ou 12, lembro Silva Beltrão e Cícero Felipe. Depois de protestos, aderiram a minha insensibilidade potente e consequente (para rimar). É que o poeta nunca deve poemar ou poetizar o que sente, transformar sentimento legítimo, autêntico, real em poema. Faça-o na prosa. Em poesia não dá em nada (ou dá em nada). Exemplo. Na Revista Urubu (quinto número) de maio/2004 - os outros três foram janeiro, fevereiro, março (vide Gilberto Gil), fundada que ela foi em 29.12.2013), no final de 15, 16 monósticos, incluo um poema de amor.

O amor é o câncer do nosso tempo.

A úlcera dos sentimentos.

O amor diminui o homem.

É um poema belíssimo, mas não é a expressão do meu sentimento. Sinto o contrário. Isso reflete meus dessentimentos e alveja situação de insentido. Ou de dessentido. Alicerces da Poesia Absoluta.

Em suma, quem acredite que ser poeta, fazer poema é expressar sentimento, movido por uma tal de emoção da pele, largar a publicar ostensivamente o íntimo, está simplesmente a passar a pobre e vitimado leitor (de si mesmo) algo que só interessa ao tal (mau)dito poeta. è preciso nada sentir, expurgar todo (o) sentimento, que é do âmbito do ego, esse antilírico por excelências, para ser  poeta consequente. Ou seja, o poema é fruto de pura insentimentalização. Que é próprio do poeta ininspirado. Porque poeta é pirado, não inspirado.

ADENDO

Este adendo serve para redizer a verdade apocalítica: o sentimento nada tem a ver com poesia. O haver da lírica pelo poeta não é do âmbito do ego ou das paixões fáceis e ao nível da pele (ou do coração): é o id+.

Se v. sente algo sobre alguém ou alguma coisa que o leva a um poema, este certamente não presta, reflete seu sentimento pessoal que, a rigor, não interessa a ninguém, senão a si mesmo.

Serve, como recado, cantada, rimada, lição de moral vazia – e mesmo contada de sílabas. Belas palavras arranjadas em nós de rimas, mais nada. Não para poesia.

(São notas do editor, acerca de isso e daquilo – em litros de isso: ID, alemão).

 

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