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POESIA SINGULARMENTE PLURAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Quando Barthes determina que o texto seja fruto de um práxis significante (e não almeje mero significado), que se isente de obrigações de comunicar coisas a pessoas,

e se imuna de condições normais de significação estrita e prática, ele institui um espaço de significância. E define.

 

Significância vem a ser, num primeiro momento, a recusa (cabal) de uma significação única, definitiva, estabelecida, vacinada de qualquer equivocidade criadora.

O texto não é um produto, é uma produção, fuzila Bella Josef, e acrescenta.

A significância barthesiana é o que mantém o texto num estatuto de enunciação e não seja finalizado, acabado etc. Daí, não se trata, no caso de um poema, de um produto, mas de uma produção poética.

Daí, o significado não se poder coagular em sentido definido, acabado, definitivo. Como se prega na teoria da poesia absoluta.

A equivocidade do texto é vital à elaboração do poema absoluto.

A pintura vale e se situa além da moldura... se esta dê sentido e beleza extra ao quadro, a obra em si é falha, pictoricamente cega. Paspatur é logro comercial.

O sentido exato, claro, meridiano, estabelecido em definitivo, limita o texto poético, restringe a poeticidade, torna-se algo externo ao poema, mero penduricalho de mensagem (romântica ou não, não importa).

Conforme Lotman, a obra de arte representa o modelo de um mundo ilimitado, modelo finito de um mundo infinito. Então, infinitize o sentido do poema, não limite a poesia ao significado, mensagem, recado, lição (de moral ou não).

O texto poético absoluto representa um singular plural no sentido de irredutível a um (só) sentido, por mais tentador que seja. Ou discursiva seja a lição.

O texto é singularmente plural e pluralmente singular. Isto é, diferente, único, amplo, aberto, preciso. Ou melhor, impreciso. Exatamente ambíguo.

Se você, romântica que seja, pretenda dizer algo a alguém ou mesmo a ninguém, não use a poesia, utilize a prosa versificada, isto é, divida ou arranje seu texto emotivo em versos, amarrado de rimas e estrofado à vontade, sem esquecer a sacra metrificação, que tanto encanta a tantos.

 

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