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CRÔNICA LÍRICA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Quando escrevo sinto delírios de abelhas.

Estou numa praça rasa de Recife. Vejo cães.

Alinhados perambulando (a coleira em riste

magnífico) e seus donos felizes sendo

arrastados pelos cafezinhos caprichados.

Surto nostalgia e falta. Faltam-me

a presença e o encanto das praças

profundas e fecundação, que se foram. Hoje,

as praças estão à flor da terra, à

flor da pele, não têm mais alma. Se o

povo abandonou-as, pedras (e cães) a povoam.

Agora, vou escrever sobre uma realidade

que não aconteceu ainda. Real não

realizável como capital contábil de

empresa falindo. Comece a

fazer um inventário de pedras possíveis. E

termino em mim, criatura desprezável a

deformar o conteúdo das palavras, assassino

semântico, miserável corruptor do verbo.

Então, começo: nítida e infinitamente vi

As escamas da noite, escutei-as em meio

Silêncio de pedra, até que um grito de vidro acordou.

 

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