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MANUEL FLORENTINO CORRÊA DE ARAÚJO, POETA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Dupla homenagem à memória de meu avô e meu pai. Homens inteligentes – e cultos – que marcaram seu tempo e deixaram –

senão impressos em páginas de livro – nas folhas de jornais suas emoções, pensamentos e opiniões, além de versos, no caso de meu avô paterno, Manuel Florentino Corrêa de Araújo, plantador de café – no sítio Frecheirinha que detém a maior – e mais alta – pedra da Serra de Taquaritinga, advogado, promotor de justiça, juiz de direito, sobretudo poeta, cujos trabalhos de “um lirismo admirável” habitam as páginas do jornal “A Província” e do Diário de Pernambuco (do qual ele foi revisor, quando estudante de direito,na Faculdade do 13 de Maio, da UR – Universidade do Recife – , turma de 1923).

 

Com o apelido de Maneco, meu avô foi personagem do admirável romance Luz do Abismo, da romancista, fecunda e impecável, Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque (do gênero pós-moderno metaficção historiográfica). César Leal completou alguns dos sonetos de Manuel Florentino, constantes no romance, que forneci incompletos a Cristina.

Meu pai, Cláudio Corrêa de Araújo, foi por décadas correspondente do Diário de Pernambuco, em Vertentes. (Desde pequeno, vivi rodeado de exemplares do DP, que vinham em enxurradas pelos Correios e chegavam, semanal ou quinzenalmente.)

A 31 de julho de 1951, sob título “Em Memória de Meu Pai”, Cláudio Corrêa de Araújo publicou, no Diário de Pernambuco, um extenso e profundo lamento sobre Manuel Florentino Corrêa de Araújo, passado em 30 de Julho de 1951, e transcreve alguns sonetos.

A cada 20 de maio (especialmente de 1916, a 1926), ele produziu um soneto em queixumosa memória da esposa Sinhazinha, que morrera, aos 16 anos, em 20 de maio de 1915, quando do nascimento de meu pai, único filho.

 

Vinte de maio vem lembrar-me o dia

dos sucessos que mais lamento e prezo:

veio ao mundo o que à vida me traz preso

dele foi-se o que à vida me prendia.

 

Enquanto o que almejava acontecia

acontece, deixando-me surpreso

e da dor esmagada sob o peso

aquilo que na vida mais temia:

 

Nasce um filho, que é luz da minha vida

morre a esposa da vida a luz querida

num momento que estimo e que deploro.

 

Veio quem venturoso me tornou

foi-se quem a ventura me levou...

Vinte de Maio eu te festejo e choro.

 

Outro soneto (de 1918), extraído das páginas do DP.

Há três anos, ó santa companheira,

por entre tanta dor, tanta amargura,

partiste e me deixaste a vida inteira,

sem amor, sem conforto, sem ventura.

 

Eras tu, ó sublime criatura,

tão terna e minha amiga verdadeira

que um filho, imensa prova de ternura,

me deste na hora extrema e derradeira.

 

Vendo que sem te ver não mais queria

viver e se quisesse não podia,

deste-me o Cláudio e Cláudio deu-me a vida.

 

Que ao vê-lo, é teu retrato, vou te vendo

e assim vejo que tu,mesmo morrendo,

inda olhavas por mim, pobre querida!

Meu avô fundara, na Faculdade de Direito do Recife, com Euclides Vilar e outros, um jornalzinho, “A Evolução”, e nele o soneto Saudades, de 20.05.1919:

 

“Sem fim como o granito ou a safira

como o tempo, a montanha ou a colina

qual do rio a corrente cristalina

que sempre para o oceano se retira

 

Como o sol, diurna estrela, imensa pira,

que lá do azul do céu tudo ilumina

como a lua, formosa peregrina,

que constante da terra em torno gira.

 

É a planta que em minha alma bem plantada

partindo, me deixaste, ó minha amada.

E que tanto reguei de amargo pranto.

 

Cada vinte de maio, ela se enflora.

Não tem somente espinhos como outrora

já deixa de pungir, prá ter encanto.”

 

Vital Corrêa de Araújo

Boa Viagem, 20 de maio de 2010

 

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