Murilo Gun

Quem está online

Temos 16 visitantes em linha

Assista

Admmauro Gomes

Siga-nos



POEMA TRISTE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 27 Agosto 2013 18:33

Anagra godofreda

de venta elefantina

onde trafegam

imensos mausodores

gônadas incomensuráveis ignoradas

e gradis onde se aprisionavam mônadas

gredas intranqüilas além

 

 

de secreções impublicáveis

que ancoram nas bochechas saponáceas

que percorrem o pescoço sonolento

antistético e intestinal da gorda

madame groa e do cônjuge

grou sem arrojo, mandrião corrupto

aos quais este poema de nojo dedico

(com enjôo curvo cravo para sempre

no basalto da palavra).

 

SENEIDA

I

Disparado nas pistas do destino

Senna roçou Deus

e ultrapassou a dimensão terrena.

 

A eternidade o aguardava

sorrateira e necessária

numa tarde da Itália.

 

 

II

Senna sentiu a respiração divina

quando foi imolado

numa curva de Ímola.

 

O astro tornou-se etéreo

e larga agora no grid dos anjos velozes

ao lado de Clark, Peterson, Villeneuve e Pace.

 

 

III

Senna deixa às crianças

o espólio da esperança

e o sorriso do futuro.

 

Ele agora tripula estrelas

pilota no éter naves eternas

vara o cosmo e deixa

 

atônitos os pássaros da terra.

Seu espírito habita as rápidas pistas

a eternidade e do infinito.

 

 

IV

Na corsa de Ímola ceifou

a foice o gamo veloz:

o alce do éter evaporou-se.

 

Um muro da mortal Ímola

protege a morte

estanca o Rio.

 

A TRISTEZA É BRASILEIRA

 

 

1º de Maio de 1994:

Senna é morto

e  a tristeza agora

é brasileira.

 

 

 

 

TRISTITIA

 

 

I

Águas de lágrima movem

corrente de amor incessante

Triste rio de fãs corre

afetuoso e abnegado

ante Senna imóvel e eterno

no átrio monumental calado

 

 

II

No triste pódio,

a champanhe chora

e pilotos atônitos

ao ar erguem

troféus órfãos

imenso vazio varre

o rápido coração do homem.

 

 

MEMÓRIAS DO ÚLTIMO EMIGRANTE

 

Vital Corrêa de Araújo

Ao ler Memórias de um emigrante – da Aldeia para o mundo, do escritor luso-brasileiro Antonio da Costa Martins – atual presidente do Gabinete Português de Leitura – redescobrí o valor incomensurável da memória como elemento de reconstrução da história, da sociedade, do indivíduo: Senti a matéria e a expressão do tempo vivido tão vivas como o sangue nas veias.

Antonio relata – seu discurso é um relatório da verdade de um homem, de um destino construído com dor e força, com amor à terra que escolheu amar, plantar, seivar, colher. A trajetória de um êxito movido a trabalho em que dois fatores – inteligência e persistência – deram-se as mãos.

O passado aponta o futuro. Ao adentrar as camadas densas, embaçadas, criptas do passado, estamos indo em direção às jazidas que indiciam o futuro, num movimento circular, como o dia e a noite, a vida e a morte.

Em Martins, sentimos – no relato – logo, um movimento centrífugo de desenvolvimento para fora e crescente, mas sempre para o alto, como uma espiral.

Ele descreveu uma saga, um itinerário firme de 50 anos de Brasil Nordestino, história de luta, repleta de dificuldades, mas vitória, onde ele representa milhares de portugueses que vieram – não ganharam – mas conquistaram uma (outra) pátria, um chão, um nome, uma nova tradição. Plantaram dinastias lusas e nordestinas, regadas que foram por mais de 50 anos de dedicação e trabalho ao país, à região, a Pernambuco.

Martins abriu um prélio contra o esquecimento, derrubou as comportas para fuga das águas do Letes – o rio mitológico que bebia a memória – esvaziou a sombra, esclarecendo os fatos, e sobre seu leito e seu limbo criou  outra memória, a verdadeira, que demarca a luta de um homem para construir o destino.

Assim, ele torna-se paladino da cultura, pois esta em essência se dirige contra o esquecimento.

Antes da empresa literária de escrever um livro de viagem do ser, de si, em torno do mundo e da vida, ele bloqueou os elementos que propiciam a deslembrança.

É que ele escreveu a vida antes do livro, não na página, mas na carne, não no ar, mas na alma.

E se essa peripécia ficasse muda, se esse livro não estampasse tal saga, tal venturosa aventura, quanto se perderia para nossa história, para o conhecimento humano e empresarial de Pernambuco e do Nordeste?

Martins seguiu o século (20) e se fez a si mesmo e agora conta esse trajeto, esse feito, tendo a memória como leme firme a navegar por mares de dias, águas às vezes dolorosas, encapeladas, mas sempre submetidas à férrea vontade de um jovem navegador que veio, através do Atlântico, para ficar e fincar sua estirpe, no Portugal do Novo Mundo. Ele representa a última leva de emigrantes que aqui chegaram, crianças ainda, e a duras penas replantaram a infância – ou a sacrificaram, em benefício de uma nova ancestralidade, da fortaleza de uma estirpe nordestina.

 

 

A JOMARD POETA 5 POEMAS MUNIZ DE BRITO

CONTRA A OBSCURIDADE DO FRUTO

Deparo-me com um grito de pedra

preso ao abdome

vendo o esôfago

menear a voz

ouço que a luz é de barro

daquele da criação

do barro úmido do primeiro sopro

fez-se a claridade, faça-se o abismo

houve esta palavra.

 

Insônias amanhecem na tua solidão

onde perambulam madrugadas

onde até a manhã é sonâmbula e metálica

abisso é-te o nome de onde brota

a brita do espírito).

 

 

 

BÊBADO ANJO

Bebo água de anjo

e punge-me o desejo

ao lado do arcanjo

milita minha seda

ante o obscuro fruto

de desejos irrespondíveis

 

O roxo orvalho meu rosto

inunda de cinzentas praças

e horizontes mortos, o coração

assalta de obscenas lágrimas.

 

 

 

 

 

 

CANTO-TE

Não canto a ti

que me desertasse

(não me dessedentasse)

como a uma garganta

a sílaba da mudez agarrei

como uma pergunta

deixei que o tempo cariasse

 

Canto a mim

porque estou só

com a esperança (e o desespero)

à espera de que se dissolva

o grito de pedra

e suas vogais de sombra e basalto

e suas consoantes

aniquilem o instante

em que a náusea

invade a alma

 

E tudo cesse

e o que seja

amor morra

para sempre.

 

(Mas não espero o desespero).

 

 

 

OLHAR POSTO

O olhar calcinado

pela fuga do desejo

não quer salvação

luta pelo opaco

vive da escuridão.

 

O desejo torna-se

inútil pedra, abismo

com o desprezo.

 

Nada há a salvar

dessa aridez sem nome

daquilo de onde a luxúria

não busca abrigo

nem foge com candelabro

para abrir outra luz na carne

e ao deus êxtase oferecer

vida e salvação.

 

Nada a salvar

dessa aridez sem nome.

 

 

 

HIATO DE SILÊNCIO

O silêncio arde

entre o hiato dos amantes

 

A sede pulsa

em cada mudo lábio

 

O muro separa almas

o lençol une nus

 

Nada que dizime

tudo que enlouqueça

 

os elos entre as carnes

a vertigem dos que amam.

 

 

Comentar


Código de segurança
Actualizar