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A POESIA ABSOLUTA É INDIGESTA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Terça, 10 Setembro 2013 19:00

A Poesia Absoluta tem por condição ou natureza um viés objetivo que poeta trata abstratamente. Toda e qualquer palavra é criadora: de símbolos, de sugestões, de referenciação ao mundo, de uma raiz do real ou de um simulacro ou notícia da realidade.

 

 

Essa seleção criadora, esse trabalho de representação ou objetivação se fazem por aproximações, tentativas, cotejos e apontes, bem como abstrações. A poesia leva a vantagem de concisão e objetividade próprias de seu elemento. Mesmo que apareça como extremamente subjetiva, o poema, como objeto de palavras, é mais concreto que a prosa.

O princípio da concretização que move o poema é uma função da potencialidade efetiva que cada palavra carrega. E somente a poeta oferece essa face como que divina, isto é, sublime, magistral.

A palavra tem desejos (é fêmea e libidinal) e o poeta os acata, direciona ao êxtase do verbo, que é o poema. O poeta exerce a função órfica, processo criador sobre as palavras, acasalando-as, reunindo-as em sintagmas. Cabe ao poeta dirigir por inteiro esse processo humano e cósmico de amar e endereçar (ou adereçar) palavras ao poema.

Quanto à questão exegética, em si, não se pode criticar a poesia absoluta porque dê pouca margem hermenêutica à crítica ou leitor. A leitura em si da PA já é crítica. Não no sentido de degustar, desvendar e por tudo em pratos limpos, como o queira crítico devorador (e faminto – crítico mais gastronômico que literário).

Os sistemas interpretativos (métodos tais, teorias metafísicas, estratégias de leitura etc) vão e vêm, cada um mais limitado, logo exaurem-se. E exauridos vão ao velório ou arquivo. Além do limbo

Vitórias viram fracassos. Êxitos tornam-se incômodos. E sempre menosprezam, subjugam a imaginação (do poeta e do leitor – que tendem a coincidir – ou colidir, o que dá no mesmo). Portanto, a utilidade marginal de um poema imune a hermenêuticas pessoais ou fabricadas em fundo de quintais críticos é vital.

Deixe o poema prosseguir incessante, sempre, seu caminho de descobertas e expansão das potencialidades da palavra, cujo ponto máximo de realidade ou realização é alto... e muito além da vontade crítica devoradora. Aconselho.

 

 

 

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