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DESTINO DA PALAVRA POÉTICA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

A palavra quer viver

sempre livre (em puro mênstruo de ser fruto divino)

fora dos dicionários, presa dos sentidos claros

dentro do poema, solta, alvo da metáfora

do dessentido, da proliferação dos fins

foge do vulgar, do óbvio e pleno, do comum substantivo

(do ego vai ao vago do id, centro do mundo) vai

ao adjetivo do início, busca a luz

fautora, abre veia da vida unívoca

dos inúmeros vis conceitos lógicos e surdos

vai ao magnânimo ambíguo

(de que vive sua carne létrica, sopro rude de barro)

vai ao febril vertiginoso auge mortal

escapa de todo (o) perecimento

laços, liames, jugos, efusões, tramas, cópulas, redes

enlaces, esponsais, conúbios, nós

lentos alinhavos, vastos chuleios, abraços

ligas, atos, algemas, conchavos, leis estabelecidas

pelos deuses que nomeiam o mundo

escoimar-se de tudo (do todo) o que seja frágil ou fértil

cego, decrépito, cômodo, unívoco, cívico, langue

depauperado, inerme, anquilosado, esclerótico

roubar-se de tudo (todo) aquilo que seja válido, anêmico,

agachado, héctico, tísico, rimado, adjetivo, desávido e desvalido

epidérmico, avariado, inocente, aviltado, pobre, fático, adjetivo belo

em suma, não poético, não enviesado, puro.

 

ADENDO AO POEMA

(ou o que quer o poeta)

 

O poeta quer decepar a foice, ser

Orfeu novo, ter mão de deus que guie a pena

ao alvo divo do verbo, que lide com mênades de pedra

ter em si um deus que redija o acaso

e olhos para contemplar o ocaso feliz e a mônada azul

barulhentos tímpanos para apanhar o estrépito das coisas

agarrar o ferro das coisas como bactérias hábeis

e beber de um só longo gole o estrídulo

da epifania dos objetos triunfantes e esmagados

rumor subjetivo que repercuta pelos vales ínvios da vida escura

de eco em eco do verbo grito vindo

dos ouvidos dos rochedos adormecidos do mundo.

 

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