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A LÁBIOS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Os lábios espessos do outono

perdem o viço

acrisolam o corpo

 

 

a legião dos desejos

à sombra do horto tomba

o trigo do negrume se ajoelha

ante trêmula hostes do páramo revoltado.

 

Veias beiram rumor dos arroios

sôfregos sarçais respiram cinzas

ardem páginas à iluminação do poema.

 

Bacia do céu invertida

côncava luz oferece

aos olhos do menino mecânico

lá longe (a los lejos) a cúpula

da lua lança acetilenos

e martelos de luz sobre macieiras

gotas de adaga caem

sobre batalhas roubadas

tempo enfermo gera

larvas de guerra sadias

padiolas levam e louvam

generais agonizantes

para as tendas do inferno lavadas

os seios das namoradas

têm luzes que cegam

e maciezas benditas

para mãos ásperas dos homens poetas.

 

 

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