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OS SENTIDOS DE RIMBAUD - (da minha rimbaldina) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

O poema pós-moderno abandona a opção arte pela arte. Substitui-a pela arte-expressão. Opta por uma estética não redutora a simbolismos, romanticismos, soneticismos, rimismismos.

Afirmativa da libertação da palavra a quaisquer sujeições (finais, finalistas ou não) a que queiram (ou quis a poesia anterior) reduzi-la. A poesia não mais servirá fins servis, íntimos, particulares. Confessionais, do puro âmbito da emoção a nível da pele (ou da alma alienada ou simulacrada). Não mais pertence a poesia (absoluta, nova, do terceiro milênio) ao âmbito mero do sonho (sonho egoico, superficial), porém ao da imaginação (livre de amarras físicas rímicas e de medidas cotadas pelo ábaco das sílabas). Eis, repito, o âmbito absoluto poético real, vital. Eis abertos os labirintos da imaginação. Eis um (ou os) sentido novo para a poesia. E é bom frisar, reconhecer, gritar que “os sentidos”, a que se referiu Rimbaud, quando pregou o desregramento de todos sentidos, não são os tais cinco sentidos clássicos orgânicos, corporais meramente, porém “os sentidos do poema”, o desregramento, a dispersão (perversa ou não), o desmesuramento, a exasperação ou a completa implosão de todos os sentidos (hermenêuticos, digamos) da palavra no poema (literal e em qualquer possível ou imaginário sentido que seja). Incluindo (não só a pilha ou bateria das interpretações) todos os desvios, possíveis ou não. Ou seja, em suma, a poesia (nova) traz, inclui, arrasta, carrega, percorre todos os labirintos imaginários (e muros oníricos transpõe) que a palavra permita, todos os meandros que o sono acorde derramado na página vígil. É que as palavras-no-poema agora carregam aquilo que Breton pregava: uma miraculosa solidariedade, o elo filológico da alma. É antes uma realização verbal do que humana. Aleatória, porque do âmbito completo do imaginário desatado.

Adaptando e aplicando à tal absoluta poesia, a síntese do pensador, crítico e poeta luso, Fernando Guimarães (cuja obra O modernismo português adquirí em Lisboa em 2011), diria, dizendo-o: “a busca do discurso poético fragmentado, lógica e gramaticalmente sujeito a suspensões e elipses, repartido numa seriação de imagens, cujo nexo tende a tornar-se aleatório, será o traço dominante da poesia d’hoje”.

(Não posso, nem se pode ninguém que poete absolutamente absolutamente esquecer que as raízes da poesia absoluta foram lançadas há cerca de 160 anos atrás, por dois titãs poéticos: Walt Whitman – em 1855, Leaves of grass e C. Baudelaire – 1857, Les fleurs du mal - antes chamava Os limbos (Les limbes), ambos livros perseguidos pelas inquisições estéticas, que ainda hoje operam).

A modernidade poética começou aí, por aí. Seguiu com Rimbaud, Mallarmé (e seu hímen vermelho encarnado no cio da palavra, no desejo do verbo), Verlaine, o faceiro, para quem poesia é antes de qualquer coisa som mavioso ou macio; Valéry, Laforgue, Supervielle, Ducasse, para citar os franceses (embora Lautrèamont – Isidore, fosse também uruguaio). E foi se aplicando, crescendo em qualidade, transformando a palavra poética em expressão além da alma (e do corpo), até alcançar o estádio quase divo de palavra poética ao nível da palavra religiosa, estágio absoluto.

É a palavra poética autônoma produtora de realidades humanas superiores, ilimitadas (por marcas passadas de métrica, rima e ritmos externos quaisquer), realidades incomensuráveis do âmbito próprio e único da imaginação (essência humana do espírito). E não apenas somente veículo dela, da realidade, voltada ao conteúdo – ou significado que porventura traga, porte, que incidental e referencialmente tenha. Porém, realidade significante (da forma humana das coisas, do mundo da palavra, formas substantivas).

É essa desconstrução construtiva do texto poético que poema absoluto propicia. Eis, em ressumo, o peso absoluto da palavra. A construção moderna foi sendo desconstruída e edificada em aparatos e edifícios pós-modernos. Cujo ápice chega (se alcança sublimemente, como o previu o alto literator, professor e mestre Sébastien Joachim) com o poema absoluto contrário a todas as bastas e teimosas ou renitentes relatividades poéticas (passadas, mas presentes, dialética e infelizmente).

Esse sentido de construção (verbal) desconstruído e esse novo edifício do sentido (rimbaldiano) é inerente, em sua polivalência absoluta, à nova modernidade poética. E é vital a esse processo a aleatoriedade (absoluta) da desconstrução, sobre que os professores da FAMASUL Admmauro Gommes e Marcondes Torres Calazans tão bem discorreram no terceiro número da revista SINGULAR de literatura.

É-se também (no sítio da poesia absoluta) tempo de tornar enfático o alcance do apogeu da linguagem: a obra poética como fato (ou víscera) da linguagem.

O vário descomeço deu fruto. Começou-se o processo absoluto de uso inservil do verbo poético feito do barro da palavra.

A modernidade foi devida e precisamente questionada produtiva e consequentemente. Uma renovada discursividade foi operada, sob guante do sentido bisturístico e providencial da desconstrução verbal criativa e producente. Até que se beirou o pós-moderno. Até que a pós-modernidade transformou-se, em poesia, no poema neoposmoderno. E a neoposmodernidade exibiu seus troféus verbais definitivos. Já estendendo suas garras líricas à posneoposmodernidade absoluta.

Houve uma superação e um regresso houve, dialeticamente passível, em relação à subjetividade. Mas nunca no campo estrito da emoção particularizada, do sentimentalismo de cunho confessional hemorrágico liricolizado ou alcoolicamente liricizado, como dantanho.

Em suma, algo explicitamente emocional, não! Em síntese, a modernidade nunca se esgotou. Se, no Brasil, parou, estacionou desde a Geração (famigerada) 45, no mundo continuou. Depurou. Fermentou. Se transformou. Avassalou. Eliot, Séferis, Elithis, Salvatore Quasímodo, Montale, Neruda, J. R. Ramirez, Aleixandre, Octavio Paz, Seamus Heaney (falecido em agosto 2013), São-João Perse (todos prêmio nobel de poesia), além de Jorge Guillén, Borges, Nicanor Parra, Lezama Lima, Murilo Mendes, CDA, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Valéry, Mallarmé, Rimbaud, Baudelaire, Laforgue e cia são marcos, galáxias da modernidade poética que plasmaram a poesia absoluta. Engastaram jóias de linguagem no verbo humano.

O fim da ideia de arte moderna, segundo Paz, é o começo de outra (e, depois, outras) modernidades mais avançada sempre. Agora apenas balizada no estádio atual ou movimento recrescente – como lua aluada - da poesia absoluta.

Não que, portanto, o prazer pleno da total subjetividade seja negado na poesia. Mas, ao avesso, nela, exaltado. Porém, objetivamente. Com palavras (mallarmaicas), não com sentimentos da égide do ego (surdo à poesia, luminoso ao negócio, inimigo do ócio criador do verbo).) a que queiram istas ou njeiçticismos, sonetismos, rimismos.

 

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