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O MUNDO FINDA COM UM LAMENTO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Quando disse que o mundo finda não como uma explosão, mas com um lamento, T.S. Eliot não foi somente sincero porém consequente e preciso, sabiamente exato (não apocalíptico).

Quando terráqueos ainda, os outros se lembram de nós, não como potenciais espíritos, porém como homens ocos. Vivos e devastados.

O sofrimento eterno era um tema de Eliot? Não. Apenas que a máquina humana (desde Hegel) era mal oleada e ou se desgastava logo ou vivia sobrelotando superficialmente atras oficinas municipais à procura de remédios, consertos, transmutação de peças com defeito de nascença ou fadiga de existência.

A provisoriedade (não qualquer espécie de eternidade) é o signo do humano. Tartarugas, baratas e certos bilhões de bactérias são quase eternas, o homem puro trânsito, passagem para o menos, ida à dor.

Toda aparência é realidade como conceituamos e acreditamos. Para Eliot isso nunca foi crença. Anglicanamente buscava a essência. Escondia em seus poemas o reino da realidade disfarçado, escamoteado por palavras certeiras embora incrustada em sintagmas ásperos. O verbo estéril era sua lavoura. Frutos desolados sua messe (árida e perfeita). Eliot não acreditava em relações humanas. Sua primeira esposa foi amante de Russel. Bertrand, seu interlocutor e amigo, era paidégua. E Eliot disfarçava o caso lascivo (e traiçoeiro). Sua segunda mulher (Valerie) era elitista e sofisticada, isto é, uma camareira exemplar que ele estuprava sempre. Sua sobrecasaca era álibi decente. Suas abotoaduras de madrepérola signo de decência e lordeza ébria.

Eliot era perito em enleiar palavras, integrar fragmentos, burilar o lirismo (mais estranho) evitando ao máximo a flacidez do óbvio, o trêmulo da expressão, concatenado com domínio perfeito do idioma humano. A linguagem era sua alma. A diversidade de Eliot era sua unidade. A dialética devastava leitores imbecis, os decibéis de seu verbo espancava tímpanos do espírito e modernizava os sentidos. Seus poemas perfazem uma roda de esmagar virtualidades balofas. Versinhos com rípio e expressões bem comportadas e poses convencionais ele detestava. E cuspia em cima, com forfite e esplendorosa elegância absolutamente britânica. (Ele nasceu americano e morreu inglês, a velha Álbion o adotou e o crismou). Com candura e excelência embora terrivelmente sincero porque selvagem, Eliot se imprimiu em nossas veias e vaza como corredeiras de sangue humano plena hemácia de palavras, com seu verbo irrecorrível e absolutamente ilegível (algo coloquial mas totalmente antiprosaico).

Confundível, só com Dante, Keats, Shakespeare (Morte na catedral e Party), Yeats, Dickinson, Laforgue, Murilo Mendes, CDA e Jorge de Lima, pela força do estro poético. De J. Laforgue herdou o ironismo e o culto cético (no caso, céltico) à palavra.

Eliot, do nobel seu colega, William Butler Yeats (o místico e probo poeta Guilherme), recebera a prova de que versos memoráveis são também iníquos. De Yeats, também, teve comprovado (dixit Daniel Piza, tão cedo a dar preleções eruditíssimas a anjos literários) que “versos modernos, de efeito concentrado, podem ser justapostos sem prejuízo da continuidade e sem submissão ao prosaico entendimento’’.

 

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