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LIBELO AZUL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Da relação direta entre a gastronomia

e o movimento intestinal

entre o sabor e o espasmo

(a ambrosia e o tônus amébico)

a poesia tem muito a revelar.

 

Conforme estatísticas peristálticas

e usufruto lírico da palavra

a poeta cabe destrinchar

o bolo, a fécula, o vozerio gasoso

o empalideçamento

algum amarelão (e tremores

verbais ou não) sobretudo...

sobretudo o descarrilhamento das palavras

após a descarga quando

trânsito intestinal e angélico pudor

ficam afáveis. Por falta de papel, stop.

 

 

A místicos cumes voo

nas asas da palavra sou

pairo das esferas do ser

 

(desordeno nome volúvel

ante hordas de si)

 

alma pesada de dano

da culpa do pecado renhida

avança como aurora

invencível a olho escuro

“sem outra luz ou guia

senão a que no coração ardia”.

 

Nota ao poema: cega fé guia

o ser pela treva das aleias

e becos do Senhor

 

pela via reta estreita sairás de ti

(os aspeados dois versos são de São João da Cruz).

O silêncio vital

do poema indizível e delével

é sumo

símbolo (instrumento)

da comunicação pura (ou espúria tanto faz)

aparente e apressadamente incomunicável

a leitor corrente

(“com a pressa que aniquila o verso”)

paciente da impaciência de desvendar

logo tudo

o verso é ilimitado

não é sombra ou máscara

(não tem pudor ou obrigação moral)

é a essência do rosto humano real.

(Nunca da alma, outros 500).

Aos objetos selvagens de meus desejos

(poéticos)

aos pecados morais (ou não)

que no Brasil não dispõem ainda de infernos

À pátina truculenta

(e incredulidade reinante)

à beligerante orgia do espírito

(canibalesco do homem e companhia)

à eterna decrepitude

aos plásticos vermes e nus

que nos devoram (a mim e a ti, leitor).

 

Só vermes são eternos perversos

e suas mandíbulas morosas ardentes.

 

Aos furúnculos episcopais

e impingens eclesiásticas capitais

à sífilis dos cardeais

às miraculosas escrófulas

que São Luis chupava

até sarjá-las todas.

Ao silêncio celeste eloquente

e músicas redondas

de ruidosas esferas

dissonantes elipses

ao som remanescente

do bigbang de Deus

xerife e ônfalo do Ser.

 

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