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GERAÇÃO ABANDONADA (1830) GERAÇÃO PERDIDA (1930) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Há um dado comum na tríade maior da poesia moderna (francesa e universal): Baudelaire, Mallarmé e Rimbaud, que viveram, na mesma duração, o primeiro mais velho, o segundo mais poeta simbolista,

o terceiro mais jovem e mais morto para a poesia, porém o maior poeta. Todos ficaram órfãos... e isso à época (entre 1830 e 1880) teve efeitos perversos ou sublimadores nos três em proporções diversas. Baudelaire perdeu o pai aos 6 anos; abandonou o pai de Rimbaud a ele e à mãe, aos 7 anos de casamento.

 

Num sonho de infância vê Mallarmé

mulher banhada de luz esplêndida

a de derramar sobre eles bátegas

de estrelas perfumadas: é a mãe

(que lhe aparece na poesia)

que ele perdera infante ainda

(aos 5 anos de idade).

 

Isso guarda (pela genialidade de todos) uma íntima relação com a geração de Hemingwey, Dos passos, G. Stein, quase cem anos depois: a geração perdida.

 

REAÇÃO DE MALLARMÉ

O poeta dá literalmente às costas para a vida (cotidiana, ordinária, usuária, animal em suma) e volta-se ao mundo da indefectível beleza num hausto humano vital. O poeta apanha resto de humanidade que há em cada época e recolhe esse despojo (estético). Próprio do ser e sobrehumaniza-se.

Até certo ponto as poesias de Baudelaire e Mallarmé, mutatis mutandis, guadavam proporções semelhando-se, porém a partir de 1865, Mallarmé sentiu que não lhe bastava refúgio num mundo ideal mesmo que exótico que a beleza lhe proporcionaria, não o satisfazia somente buscar aleatoriamente solução intelectual para preencher os seus anseios.

Defrontado com o nada (o velho e bom Néant e Rien franceses), o poeta cujo lance de dados não aboliu o acaso concluiu que para além do mundo real nada há (ou há nada) senão o vazio do nada. E que “le Rien est la verité”.

O vazio do nada esplende, preenche, completa. Verte-se – como rio infinito – o

vazio do nada, o deserto de si, “em mim, no todo, no mundo, no homem”. O claro do luar de diamante hipnotiza, seduz, afaga. O sol é apenas uma ilusão, um efeito, um processo cujo ato vital é o claro da lua. (A verdadeira, expectante, ambígua mas real, sugeridora, esmaecente e exata luz da vida.

Movido a Hegel, traçou bem a questão da realidade que o ser humano (estético) busca, constituir ou não no racional... e num salto dialético à conclusão magistral – e poética vital, de que “o mundo ideal (e real para ele) está oculto no vazio total e que o infinito está todo contido no nada.

Sendo, com efeito, função do poeta, pois, desprende-se dessa casca ou pele real-aparente, desvencilhar-se desse obstáculo da alma mundana, viciada em imitação ibibelos do espírito, prazeres carnais e belezas fáceis, para encarar-se estética e filosoficamente. E ser assim consequente na poesia, à distância do outro que não está à altura do próprio eu poético. O je est um autre, de Rimbaud.

Desde então, o poeta para ser poeta consequente e coerentemente poeta necessita subtrair-se a todos os contatos, elos, laços com a realidade (aparente, comum, cotidiana, em suma ordinária) e encarar o real e vital vazio dentro de si próprio. Assim, para dentro do si poético convergirão e se cristalizarão as formas ideais do mundo infinito (dentro e fora de nós ao mesmo tempo, simultaneamente espaço íntimo e público – ou publicação de íntimo) contidas tais formas infinitas no nada. Que é tudo.

 

 

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