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FORMOSURA DO CREPÚSCULO DE GARANHUNS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   

Saio de Recife movido pela ânsia

invicta de galgar o planalto dos unhanhuns

e lá do bem alto ver o chão incendiado

que se chama Garanhuns.

 

Adentrar seus muros aéreos construídos

por pássaros. E por homens fanáticos

do céu de pedaços azuis.

 

Muro com a cal do limbo arrevesado de rosas

adornado de hastes de dálias

de pólen de papoula coroado

amurado de lírio que circunscreve

coração de pedra e cravo de Garanhuns.

 

Ansioso estava de beber

seu crepúsculo alto, sorver o uisque

do entardecer líquido, quase físico

que faz Osman Holanda delirar

do ardor de estar em Garanhuns perto

do cair do sol. Recrudescer de cores

e ocidentalizar-se das luzes

em altas manadas ocupando-nos olhos

como claras chusmas de rosas numa bandeja alada.

 

Planeei, ao longo da rota, caminho do poeta

do Recife (donde o mar ora) à Garanhuns

ouvir nuvens, berço, matéria

e alma da garoa tocar

desenhando angeluses nos céus

da urbe culta e alpina, sobretudo renhida.

 

Do céu escoltado por anjos

meio pétreos meio pássaros

de Garanhuns, céu

que é uma prece branca, sou devoto e irmão.

 

Cheguei e fui assistir apressado e etéreo

iluminado pela volúpia da hora

ao deslumbrante ocaso desnudando a noite

sentir cores, pastas e tons

espectrais e doces

quase tocar o corpo do crepúsculo

suas veias pancolores

ângulos intrincados e pictóricos

gestos altos que embebem

de rubor e amor o hino da cidade

que espelha toda essa majestade.

 

Como alado amante

conquistador de olhos e almas dos viventes extáticos

o crepúsculo, em seu hípico percurso, percorre

todo o vasto céu, que é maior em Garanhuns.

 

Ímpar ocaso de nossa Cidade deixa

impregnado como brasa algo no espírito

incomensurável do habitante

transitório como eu ou definitivo

como o leitor do octogenário periódico

e respeitável O Monitor. Ou este livro.

 

Deixa em seu alto povo legíveis marcas

sensações de ser mais e muito, de pertencer

a um sítio especial do tempo humano

de compor um engate que se engasta

das glórias da mão de Deus que suspende

todo o planalto de Seus suspensórios de pássaros.

 

Nostalgias e esperanças, continência à beleza

do poente majestoso de Garanhuns, tanto

vislumbrado das colinas quanto

do seio da Avenida Santo Antônio.

Antes de sua imersão na redoma da noite

vive a Cidade da magnificência crepuscular

que é dádiva divina (e eterna como sua pedra)

a olhos tão passageiros como os nossos oferecidos

prêmios ilimitados da imaculada hora do ângelus.

 

Numa ode de pedra e pássaro

a Garanhuns disse que tenho o hábito dela

e o confirmo porque devo a palavra poética

amparada por sua alteza

semeada pela beleza dessa urbe excelsa

não a mim mas à sedução invencível

do crepúsculo de Garanhuns

que é o começo do futuro da luz

anúncio de uma noite luminosa e parto

de manhãs inéditas e corajosas.

 

 

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