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Admmauro Gomes

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LEITURA DE POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 10 Junho 2013 19:28

O leitor retém o sentido, dá-lhe roupagem nova, adequada até, orna-o, acerta. Segundo Barthes, citando Admmauro Gommes, o leitor não descodifica o poema, mas o sobrecodifica. Não decifra, porém o recifra. O leitor real cria, adensa (possui ou se apossa do sentido, forja-o), completa, inventa o sentido (ou os sentidos) do poema. Imerge no âmbito largo e fundo da leitura pessoal – tentando se afastar ao máximo do autor acasional (ou ocasional), de alguém de quem ele não precisa saber o nome vital, e sai – dessa imersão textual, entre a terceira e quarta margem do texto, com os sentidos que lhes doa a salvo (e enxutos).

 

 

 

A poesia absoluta tem leitor, falta-lhe público receptor, pessoas, gerações que não mais a temam como algo sem sentido. É nesse sem sentido que a coisa pega. Afeitos, acostumados, mesmo viciados em poema fácil, de sentido já dado (ao cubo), tipo descrição ou historinha de amor, memória da infância, tsunami, aviões gêmeos fuzilando torres e tal, o leitor (coitado) hoje quando se depara com um poema absoluto, de sentido complexo, mesmo duvidoso, de expressões desconhecidas (cheio de encontrão nunca visto de substantivo com adjetivo, oximórico ou não, quando encara uma metáfora meio selvagem, ele bate em retirada, fecha livro, dobra a página... e sai de fininho... a perguntar-se: que poema é esse, cadê a rima e o sentido (esqueceram?).

Então, é preciso um esforço pedagógico, um programa de educação superior voltados para a criação de um público receptor da poesia poesia, aquela que devia viger em nosso tempo, para sermos, em literatura, contemporâneos de nós mesmos. Li em algum lugar que a melhor maneira, o modo mais adequado e eficaz de um leitor aprender a ler (literatura) é cair de quatro no romance do magistral Calvino e devorar. Se um viajante numa noite de inverno (Ítalo Calvino – Editora Pleneta/Dagostine).