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NOVOS PARADIGMAS DA POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 10 Junho 2013 19:40

MÚSICA E POESIA

 

Por mas que tentamos, filósofo ou amadores da metafisica, pessoas cientes de que sua consciência excele, e são potentes à vitória (quase orgásmica) de pensamento sobre si mesmo, é inviável decifrar a existência.

 

 

 

Não havemos de deslindar o mistério dos fenômenos centrais (como a consciência em si independendo do corpo, em minha especial acepção a respeito) que existem fora do orgânico.

A poesia, esse fenômeno ainda possível de entendimento e localização ou concepção ágil e duradoura (senão completa), pode apalpar de leve o absoluto (tocá-lo com leveza e candura quase impossíveis), mas não o contempla (senão a si mesma, isto é, às palavras de que é feita).

É que ideias não se dão com poesia, desde Mallarmé.

Gosto de pensar: poesia é para nos (nós) compreendermos, não para sermos compreendidos.

Que coisa, corporal ou não, se achega a tal, toca a poesia? Nada. A não ser a música. Exceção plena.

Desde que Wittgenstein disse (ele que não acreditava de pleno no dizer) que o lento movimento do Terceiro Quinteto de Brahms o desviara do suicídio, a música comprovou toda sua eficácia humana. Que desde Bach e Mozart era tida como terapêutica e receitada para profilaxia do espírito.

Realmente o efeito musical em nós é quase fisiológico. Mais de que mental. É a música a nossa verdadeira musa. (Gostaria, a propósito, ouvir – em todos os sentidos, João Marques, compositor e amante de Brahms).

Cabe, não às ciências, teóricas e investigações psicológicas metafisicas completas ou escavações das mais altas e profundas camadas do si, desvendar-nos – pôr-nos a nus, mas à poesia, em sua medida irracional (adequada), com sua ração de prodígio (total).

A música, o que de mais abstrato (e concreto) e divino há (que o homem criou) é o que nos torna racionais. E não a razão (porque não há suficiente no coração). Só o irracional humano pleno é capaz de abrir ao mundo a caixa de música (da musa Pandora) a nós, como canção de esfera ou melodia algébrica.

A música é significante em última instância, destituída do significado (aparente). Emotivo. Como algo propulsor dela.

Graças a esse caráter, ela leva-nos muito além da inteligibilidade prosaica, além do ter de ser. A música nos põe fora de nós. É inútil (como a poesia) mas certeira, verdadeira. Interage.

Se é arisca à análise como a poesia, melhor para ela. Se vem antes da poesia, melhor para a poesia. Porque é um segundo lugar honroso, de prata avultada. Não aviltada.

A poesia tende à música. Ela visa ao abstrato. Ambas são vitais ao comum.

A questão vital, quando primacialmente faz-se preliar música e poesia buscando a primogenitura (quem Deus fez primeiro), é que diferem de forma e conteúdo.

Essas abstrações formais e conteudísticas, que a mente não distingue, porque confusas ou complexas. Aparentemente é dilemático, metafisicamente aparecem como duas coisas distintas. Mas essa diversidade não vinga porque a mente é dialética, vê o todo conjunto de suas partes, tem e comporta certas singularidades.

O fato filosófico de que a poesia aspira à condição de música (como realização quase olímpica) representa no auge (ou limite) uma comunhão de forma e conteúdo. Na música, a forma é o conteúdo – e vice versa. Na poesia real, quase absoluta, o conteúdo é a forma. Isso porque são propósitos humanos.

Quem não tem música na alma não é humano ainda. E tantos não o são. Não a têm. Quantos? Inclusive você, leitor dessa crônica. Não é espírito. Só social.

Leibniz, como bom matemático, defendia que a música era a álgebra de Deus.

A música está além da sensação empírica. Ela é (ou soa) metafisica porque abstrata. O que é patente é que a música é a alma do tempo. Por isso é humana. Mas demasiadamente humana.