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POEMA E POESIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 10 Junho 2013 20:04

Há uma certa (ou incerta) confusão entre poema e poesia.

Desde o romantismo e do aparecimento do poema em prosa, modalidade poética (legítima) que adquiriu consistência e qualidade, em especial, no simbolismo (Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Valéry - entre nós Cruz e Souza), fez-se necessário diferenciar poema de poesia.

 

 

 

Poesia (ou a criação poética, em abstrato, na acepção grega de poiesis) não se confunde necessariamente com o verso metrificado, contado (na lição eloquente de Antonio Candido, Notas de literatura). Há tanto poesia em prosa quanto em verso livre. E, muitas vezes, não há “poesia” nos poemas da grande maioria dos livros de “poetas”. Isso porque  a dita poesia (do mau-dito poeta), ao se aproximar dos valores de prosa, mesmo em forma (ou fôrma) de poema (rimado, medido, castrado de metáforas viris), perde seu status de criação poemática.

Entre algo estético (poesia pura) e algo mecânico (“poema”) há dilúvios de diferença.

Logicamente, poesia pode se manifestar no poema em versos metrificados ou livres, desde que represente uma verdadeira criação de linguagem (eivada de lírica depuração) e não só prosa versificada ou hemorragia lírica confessional, e vômito emotivo, no leito da página (que é do leitor). Que é o que acontece muito. Desde que se faz hodiernamente, em pleno século 21, poemas nos moldes do século 19, verbos de extração parnasiana, o que é um perfeito anacronismo, sobrevivência do passado (que foi rico nele e esgotou-se hoje) e é algo que descontemporaniza o dito (ou mau-dito) poeta.

A grosso modo, pode-se dizer que o conteúdo do poema é a poesia, a forma da poesia é o poema. Sempre mantendo o tônus lírico, que lhe imprime ritmo interior, e nunca mecânico. A forma poema não pode se desformar-ou deformar-se, em prosaicismo ou em melindres ou espasmos prosaicos.

Conscientes produtos de poesia, concreções empíricas, os poemas poemas não se devem confundir com algo chamado poema só por dispor  de características técnicas ou marcas (antiquadas ou não) de rimação, medida silábica, ritmo mecânico (metronomal), isto é, exterior, e não como O. Paz dizia, ritmo interior, vital.