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PROJETO BORGES 100 ANOS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 10 Junho 2013 20:16

Labirintos são tigres no espelho

Há exatos noventa anos, um tal de Jorge Borges H., em Buenos Aires, publicou uma tradução do conto O Príncipe Feliz, de Oscar Wilde. Todos os amigos cumprimentaram o professor de Psicologia e Inglês, Jorge Borges Haslan, pelo feito.

 

 

O equívoco logo se fez notar: o H da assinatura não era Haslan, e sim, de hijo, pois o tradutor era Jorge Luis Borges, filho, de apenas dez anos de idade.

Na obra do agora centenário Jorge Luis Borges (nascido a 24 de agosto de 1899), os enganos, os disfarces, as antíteses, as ambivalências se multiplicam, como se o único trabalho da vida fosse criar charadas. Tudo costurado por uma ironia que somente o racionalismo livresco alimentado de poesia possibilita.

Pelo efeito que provocam no espectador costuma-se esquecer que a magia é a mais racional das artes. Talvez somente menos do que a culinária. Não há milagres no prestidigitador. Há a mesma habilidade do vigarista, atento às desatenções e distrações, constantes dos homens, sempre propensos às ilusões.

Borges criou um cosmos. É um mundo somente feito de palavras. Nenhum autor do seu tempo foi mais original na paródia e paráfrase dos mais fabulosos dos gêneros. Que ele e Valéry preferissem o conto e a poesia ao romance revela uma vocação sofisticada, também inseparável do ensaio, um gênero indeciso, que contém em si mesmo o máximo de ludismo que permite a prosa.

Algumas imagens e palavras são recorrentes em Borges. Tigres, labirintos e espelhos estão entre elas. Tigres que talvez sejam uma das melhores representações animais do ímpeto para a esfinge. Se há alegoria no mundo (se isto também não for um sonho) os homens – que só fabricam espelhos imperfeitos, porque também são reflexos de alarmas- caíram do labirinto de um jardim e se perderam. Alguns destes fios, puramente imaginários, são desfiados da obra de Borges pelo poeta Vital Corrêa de Araújo, o seu mais astuto decifrador e arguto em Pernambuco.

 

 

 

Mário Hélio

Editor

(do Suplemento Cultural –DOE agosto 1999)