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Separar o poeta do leitor ou do não poeta PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Segunda, 10 Junho 2013 20:21

Separar o poeta do leitor ou do não poeta

é difícil, porém necessário.

 

O poema começa finito, relativo

situado, datado... e vai além

da caneta ou do teclado

(poeta absoluto é triste. E íngreme).

Poeta que inventa o que não cessa de ser

o que não teme o relativo

ou a fronteira, ou o limite falso (fácil

que é o mesmo)

que excele, excede até

que reste o absoluto.

 

 

 

No poema o infinito é pequeno

e a eternidade inútil.

O abstrato pulsa. Prenhe

do intestino concreto.

Da alcova, da tumba

do penedo, da bússola.

 

Através do reino malogrado desse mundo

o poeta segue (seu caminho escuso)

o homem fica do lado de cá do muro.

(Do homem emparedado na usura

não fica nem a sombra

ou a pedra do espírito).

 

As ovações abandonaram a página

a sintaxe fraqueja

o irracional flameja

o verbo é louco (como Freud o foi)

apelos desertaram

dádivas esmoreceram

os ângulos faliram

as vestais se despiram

os limbos não são mais brancos

(desde Baudelaire)

são mais autênticos os infernos

desde Rimbaud

a agonia mais precisa

mais erma a solidão

o absurdo mais presente

troqueus desmoronaram

iambos agora são grotescos

a liberdade da palavra vigora

no inciso do absoluto.

 

TODO POEMA É INACABADO

(POR NATUREZA E DEFINIÇÃO)

 

O inacabamento (a fragmentação

polícroma e recrudescedora) do poema

é vital e decorre de que só se escreve

um poema (absoluto) que continua.

Só um e o mesmo outro poema.

 

O universo é (oco) um vazio

vazio positivamente carregado

espaços interatômicos

nele pululam como vírus.

(Se uma força espremesse

toda a matéria do mundo

de tal modo que rompesse

a órbita dos elétrons

e os concentrassem nos núcleos

a terra se reduziria a uma laranja pera).

POESIA É

 

Poesia é como água(,) inacabada.

Acabe(.) com

ilusões éticas

vazio pleno (como o céu)

que se aposse da pena impiedosa

do poeta de uma vez para

todos os sempres (por todos os poros

e suspiros que sejam).

Assim inescrevo o poema todo.

CONVERSA COM LEITOR (DE PA)

 

Não permita leitor

que a poesia o colonize

ou impeça a morte.

Não se derrote. Vença o poema.

Essa infinita inutilidade.

 

O dinheiro assume

o destino da mercadoria

e esta o do homem.

 

Tudo melhor aquém do mal e do bem.

Tudo do bem e do mal aquém melhor.

 

Ser é gozo. (Zizek).

 

Cuide do íntimo e do éxtimo. (Lacan).

Simulacre-se, desate(-se) a si.

Curta a vida com longa

(2,5,3l) Coca-cola.

Acredite na sua máscara. E viva melhor.

atualizado em Segunda, 10 Junho 2013 20:33