DIÁRIO ORNITOLÓGICO DE VCA Versão para impressão
Escrito por Administrator   
Segunda, 20 Agosto 2018 22:07

Apenas, como fenômeno estético

a existência e o mundo se justificam.

Nietzsche

Uma vida em busca da brasa que

dissolva o escuro da alma.

E incendeie o ser.

 

Que em poesia seja permitida toda ousadia.

Toda agressão à gramática, que se faça o novo sempre

(make  News). E toda transgressão literária possível.

 

Aberto mar o da palavra

que água revolta lava.

 

Na consciência da verdade o homem só reconhece o horror ou o absurdo do ser.

Nietzsche

 

A realidade diária do Brasil é o horror cúbico, pleno, cínico.

 

O horror brasileiro é a realidade cotidiana (e a verdade das ruas).

 

Amarra-se Ulisses e bem a seus confortos e sais, à paz do convés longe do mar revolto, à segurança do mastro (que o conduz), aos cordames da vida fácil. O covarde do Odisseu busca a paz da canção sereia, o silêncio do mar sereno, o êxtase da audição, sem exposição a desafios reais. Não é nada exemplar, então.

Nietzsche encorajava pessoas a se libertarem da necessidade de salvação.

O horror é aconchegante.

Heráclito, sublime e obscuro, compara Deus com uma criança, a brincar com a construção do mundo, pedra pra lá, pedra pra cá, e o que falta excede e o excesso falta, até que se cansa, e deixa a coisa como está a degringolar. É, ao desmoronamento da areia do muro/mundo da criança-Deus do efesiano, a que assistimos hoje, agora aqui: Fiat Lux e Panta Rhei, disse Deus.

 

E a orgia musical liberta a carne do espírito. É a música bacônica que vem do precipício da dor e da avalanche do desejo para nos enterrar no amor.