ACONSELHOS A POETA QUE SE QUEIRA NEOPOSMODERNO Versão para impressão
Escrito por Administrator   
Terça, 09 Julho 2013 18:41

(NOTAS A ESMO)

 

  1. Se na leitura literária deseje

coisas certas, ordem, clareza incontestável

das palavras, não leia poemas neoposmoderno

leia gramáticas (normativas, expositivas e tal).

 

 

 

  1. Caso deseje, em leituras literárias ou não, certezas

significados (mais conteúdos que expressão)

não leia o sutil e complexo poema neoposmoderno:

leia dicionários.

 

  1. Segundo suas necessidades vitais de inexpressão

e de fáceis (e gratificantes ou não) leituras

“produtivas”, lineares, faceiszinhas, textos

de sentido único, claro, exato, meridiano

de significado exaustivo – e correto

leia os parnasianos de sempre – de agora

ou outros pusilânimes poemas.

 

  1. Obs. Dicionários catálogos quase que exaustivos

de coisas significadas, repertórios dados

inventários complexos que em nada facilitam

leituras de poesia neoposmoderna: cabedal.

 

  1. Já a poética é um catálogo de sintagmas

Já a gramaticalidade é assunto sério

pouco poético. À poesia é mais atinente

a sobregramaticalidade de Kristeva.

 

  1. Como poeta, geralmente agramaticalizo.

 

  1. Na nova poética, uma associação (sintagma                                                                                    ou parecido) que se pretenda doce deve ser amara

por definição ou natureza).

 

  1. Tudo o que peque contra a clareza em poesia

é útil... e salva o poema. A claridade

poética é nojo. Fútil. Tolo.

 

 

  1. Geralmente o que os maus (ditos) leitores e

poetas fáceis apodam de deficiência

estética (quantitativa) é qualidade.

 

  1. Mau estilo poético é aquele que busca o

unívoco, o útil, o fácil, o incontestável do

poema. Tudo o que facilite comunicação

em poesia é prosaico.

Exerça a plena desescolha das palavras

 

  1. Despreze o inútil dicionário. Crie significados

ao bel prazer da verdadeira poética.

 

  1. Estilo vital em poesia nada mais é do que

a maneira do poeta (ou candidato a) pesar,

escolher, impor, ordenar e arranjar palavras

no branco da página usina de texto.

Após curva ponderação, escolha

antiquada, imposição equívoca, ordenação

meio que delirante e arranjo estrambótico

empurra-se tudo dentro de um molde variável

arruma-se tudo no interior de um

barro chamado forma (o que completa o tal

estilo: modo da forma).

A língua poética pois nada seria se não um

catálogo ou coleção de símbolos linguísticos

e suas relações com o mundo referencial

e o eu problemático (do poeta e dos outros).

Tudo sob o domínio de medo, a bandeira

mascarada, o império de A sombra, A Égide

bandoleira, A cunha equívoca, o juiz

deformante, o critério sem sentido

do id.

 

  1. A seleção de palavras que poeta produza

é mais inconsciente que ajuizada, e

nisso reside a certeza de que é poética.

A ordenação das palavras é caótica... e

menos gramatical possível, isto é, normal.

 

  1. A tarefa do poeta é produzir quase que por

instinto da palavra o texto e transferí-lo

a leitor para que este dê-lho sentido

que o aprouver ou vier à mente criativa.

 

  1. O diferencial da poética hoje é o desvio vital,

contínuo, mesmo operacional, da norma (da língua,

da gramática vigente, da sintaxe dominante e

mesmo autoritária). Quanto mais devio mais

poético. Todo desvio em poesia é positivo.

 

  1. A norma da língua é mais que necessária é

a referência para o desvio. Não há que dis-

pensar, desprezar, rejeitar, desdenhar a

norma, porém dominar e bem toda a gramática,

exatamente para desviá-la (virtualmente desvirtuá-la)

e fazê-lo com plena consciência gramatical.

De pleno.

 

  1. A relação do poeta neoposmoderno com o

leitor é a de elevá-lo ao patamar do poema.

Ao nível da poesia. E preveni-lo

da singularidade estilística que caracteriza

cada poeta, cabendo a ele (leitor) sobrepor

sua própria singularidade de leitor à do

poeta... e assim singularizar a exegese e a

leitura (ao máximo).

 

  1. Tanto leitor quanto crítico deve cri-

ticar a vaguidade e o emboloramento de

seus conceitos e aparatos, evitando desa-

tualizar-se e passar a contestar

a novidade, por deficiência dele e

e não do novo. É o que acontece

hoje – fora de FAMASUL, com a

poesia absoluta.

 

  1. A ambiguidade léxica (ver Seven types ov

ambiguity, de Empson) é vital à metáfora.

Igual ou maismente à sintática.

A ambígua sintaxe é fundamental à

Poesia absoluta. Sem ela, não haveria esta.

 

  1. A sintaxe incompleta por excelência, a

despontuação, a prosódia encalacrada ou malcriada

o fluxo sem fôlego, a imaginação do

gênio, a demiurgia sublime são motores

dos monólogos interiores de Joyce.

 

  1. A complexidade do poema, seu valor, sua

essência, decorre da intrincada sintaxe, dos

neologismos inusitados, da manipulação

da gramática... inventividade poética,

enfim.

 

  1. À ambiguidade léxica necessária à poesia

acrescenta-se a ambiguidade gramatical e

lógica.

 

  1. O escritor criativo, poeta, prosador (seja o que

for) deve criar o próprio e peculiar texto,

inimitável até por ele mesmo. E afas

tar-se ao máximo do contexto ou da

situação real (que normalmente é vulgar)

do fato diário, da emoção mesquinha

ou não, mesmo elevada, chorosa etc. Vol-

tar ao contexto da obra, criado por ela.

Apelar para a suspensão da descrença

do leitor possível (e arguto).

 

  1. A suspenção da descrença, do juízo

rígido, condenatório, interrogativo, averi-

guante, ajuizamento enraizado na exata

realidade (das máscaras e aparências) é básico

tanto ao poeta quanto ao leitor absolutos,

isto é, não relativos.

 

  1. O leitor deve-se orientar, louvar-se

no contexto de situação

criada pelo poeta, nele. Imergindo. Deve

alicerçar-se no âmbito do contexto gerado

pelo acúmulo de intra e extratextos, bem

como de intertextos básicos. Assim

divorciar-se, afastar-se, abstrair-se do

contexto ou fatos da realidade física e

mesmo psicológica. Todo apego (de

autor ou leitor) a essa realidade é nociva

e banaliza, inutiliza, ordinariza a ficção,

destituindo-a de todo o valor literário

 

  1. Faça o poema deixar de ser uma mera

mensagem, mas uma experiência (tanto

filosófica quanto psicológica, física e afetiva).

 

  1. Sempre transcender significados (conceituais

ou não).

 

  1. Ao produzir no leitor experiências vitais e despertar

arquétipos, o Poema Absoluto faz-se humano.