A POESIA MODERNA COMO REFLEXO DO ID Versão para impressão
Escrito por Administrator   
Quarta, 21 Janeiro 2015 13:07

É isenta de forma (fixa), é metamorfose ou disforme, tem a forma por vir, é protêutica (como Proteu, adquire forma que lhe sirva).

Renuncia ou desdenha dos princípios que norteiam a poesia bem comportada do superego. Por isso é anárquica, maleducada, brusca, um pouco má até, inconveniente sim, para milhões de leitores habituados com as baboseiras prosaicas de sempre (arrumadinhos de rima, facilitário do entendimento, capricho métrico, ábaco sempre repreendendo o espírito e calculando as medidas da página, combatendo a desmesura e o pé quebrado, pois a clínica ortopédica da palavra fecha nas emergências).

 

(A fantasia (imaginação) retém uma verdade

incompatível com a razão).

(Toda desmesura não será castigada).

Indiferente às peripécias do tempo, independe dele para viver, como também não depende do verbo perfeito ou imperfeito. Abre mão de qualquer coerência horária, é desorária por natureza.

Alimenta-se (minha poesia moderna) de contradições, choques de palavras saltos de qualidade filológicos, lacunas, interrupções da sintaxe – e mesmo de apagões gramaticais (que a esclarecem e muito).

O bem e o mal para ela (a poesia moderna) são valores ineptos, arcaicos, confusos, senão inconvenientes, imaturos .

A moralidade métrica ou burguesa (ou proletária, petista, oficial etc) não a interessa em nada. Nem perturba ou desperta.

Não precisa de preservativos para autopreservar-se.

É a poesia do instinto primário da palavra.

Vem do mais fundo abisso do verbo.

Da bacia (maior do que mil mares) do id.

Do fundo da consciência, do poço da inconsciência.

(Da veleidade do ser e de sua insatisfação

com o que é. Com o que não pode ser).

O objetivo do id é dominar o mundo do eu. E a

poesia (minha e tua) busca realizá-lo, ouvindo-o

trazendo a tona de suas verdades à página vital.

Viva o ID e a poesia. Viva ou morra. A poesia moderna (mesma).