POR QUÊ? Versão para impressão
Escrito por Administrator   
Quinta, 10 Outubro 2013 19:53

Por que insistir derrotadamente com uma linguagem esgotada, anacrônica, centenária, a repetir de modo novo (ou não) imagens vencidas, restolhos de sintagmas; tal insistência com uma linguagem antiquada – e o uso da velha forma do soneto (de modo inventivo ou não) é entregar-se, de corpo e alma, ao anacrônico e desistir de deter uma linguagem atualizada, mais da época, de hoje, e não de cem anos atrás.

A habilidade, o excesso de lavor, o domínio absoluto do procedimento técnico (silabação, rimação, estrofação, sonetinação e cia) enfraquece o poeta e o poema. A razão excessiva (ou não) reduz o poema, obsta o poeta, desvia a metáfora. Porque à razão interessa sua visão equilibrada lenta, temporal, lógica, coerente e reflexa do mundo. À imaginação, o contrário.

 

São molduras despedaçadas pelo tempo, mas sobreviventes nas páginas, fórmulas supervenientes, intestinos restaurados docemente (porém envenenados). Viva a poesia desautomatizada e informe como a vida. Caótica quanto o tempo.