POESIA E LIBERDADE (SENTIDO DO FUTURO) Versão para impressão
Escrito por Administrator   
Quinta, 10 Outubro 2013 19:55

A poesia, como arte humana por excelência, embora autônoma, isto é, como fim em si mesma, é o meio ideal, hábil, mesmo material, de conhecimento universal, interior e inteiro, não segmentado como o das ciências. E esse conhecimento uno e múltiplo é contemplado liricamente.

O poeta tem o dom disso, o dom de se dar-se (o si). Da contemplação do silêncio em que o poema se engaste. A poesia absoluta é a única, até hoje e depois, que propicia uma nova imagem do mundo. É como que uma pintura de palavras recalcificada da erosão (ordinária) do mundo cotidiano.

 

 

Horizonte e vértice são os reais (e vitais) temas da PA. Isso visto numa voragem da visão lírica. Ela busca atingir a verdade da poesia. É um processo também de libertação do espírito da selva de simulacros. Um procedimento da alma de superar a carne falsa, o físsil, o fútil, o banal e o acessório. A liberdade de composição poética é vital.

Leitor (do poema absoluto) não é (mais) passivo receptor de aparências sensíveis e óbvias (coisas que estão claras no poema não interessam, são simulacros, fraudes ou álibis do ego). Os sentidos (não físicos ou fisiológicos, mas do poema) não refletem o que o poeta fez, porém o refratam. Isso porque a imaginação (haurida do poema, mas transmudada pela do leitor) é uma potência que age abaixo do nível da consciência (do ego). Ou seja, nos feudos do id.

Tal imaginação (vinda desde Platão e Kant) procede das trevas, da caverna cega, do rumor primitivo da veia, das águas primordiais. É a imaginação natural. Da natureza, nela implícita (presente). Muitas vezes, se tal, sentimos o poema, porém não sabemos de onde e como veio esse sentimento: do veio da imaginação. (Ou da sensação do porvir que os sentidos do futuro propiciam).

(O amor espiritual do poema advém da imaginação).