LABORATÓRIO DO POEMA Versão para impressão
Escrito por Administrator   

Pausas amadurecem

reses se imbricam em córneas e pastos

fezes se solidificam ao acaso úmido

urtigas começam a afiar a coceira

eu termino o poema.

Ante o ninho da palavra

após partejar o verbo com plena incúria

quando das geometrias dos arbustos

talvez num momento de distúrbio

começo o poema.

 

Perante sílabas e dízimos

entre vogais e cavalos

assim que declina o oblíquo

após os lábios

estagno o poema.

Cavalga a palavra.

Do túmulo dos muros

da arrebentação dos signos

do ancoramento  das pranchas

da borda gangrenada ou irrespirável

do mais espúrio espírito que vague em pocilgas

trago a palavra do poema.

 

Da cambaleante espuma

do convés dos antúrios

da sombra das vergônteas

do ferido âmbar ou da manhã cega

esculpo o poema.

 

Das chagas do amanhecer

dos joelhos da volúpia

das ameixas de teus seios noturnos

dos tenros milhos dos mamilos

dos ardores copiosos do gozo

brota o verbo.

A volúpia da palavra chega.