REVULSOS MÚSCULOS Versão para impressão
Escrito por Administrator   

à inefável musculatura da alma

A cisão desvela vísceras.

À ruína de bispos ao cubo.

 

O acaso recolhe coisas, papéis, avulsos nomes

dados desconstruídos, homenagens podres.

 

À mônada, ao vácuo

a id icônico e vário

a ditos sinuosos

e serpentes do paraíso.

 

Conhecer-te a ti mesmo como nada

(eu não sou nada).

 

A cepas, castas novas e mostos

do vinho absoluto da poesia

 

Alegres labirintos de acrílico coleciono.

 

Verdade despreza esplendor.

 

À ruína dos cubos

ao crepúsculo dos bispos.

Há um jarro cheio de crepúsculo

na esquina esquerda do teu rosto

(com um resto de sol dando ênfase ao rubor

e um brilho meio inclinado

em ângulo amarelo que se precisa quando

cor cinza invada o olhar).

 

Cinza de séculos, resto de chagas

cravos esquecidos ao pé da cruz

pátinas imensas e lenta ferrugem de horas

e fragmentos de tempo filtrados de ontem

que milênios depositam nas almas lassas

além de máculas que espíritos teceram

infinitamente no tecido da carne

com a linha do pecado.

 

Cada um possui seu abismo pessoal

(e vulnerável). Nunca o compartilhe.

 

À alma do lírio.

 

À suposta poesia (absoluta ou o que seja ou diga).

 

Lágrimas literais caíram, céus desabaram

como gredas, nuvens pesadas ou ira de granizo

da calçada onde quimeras conversavam

sobre a ruinosa beleza do último apocalipse

(e o pó veloz que devorou a narina da esfinge

Arruinando parte do mistério)

e sobre as formas deletérias do futuro.