REFLEXÃO SOBRE POÉTICA Versão para impressão
Escrito por Administrator   

A repercussão na Mata Sul da nova revista de literatura URUBU, de Palmares, foi fecunda, intensa, mesmo imponderável.

Daí, trago aos novos leitores essa reflexão sobre significação formal em arte literária.

 

A significação artística (no caso, dum poema) é diferente, e mesmo contrária, ao significado verbal (comum, ordinário, normal, do que se costuma dizer “discurso”).

O que poema diga (se o dissesse) não se explica, está expresso, se exibe, mas não se demonstra cabalmente: 1º) a quem a simbolização da arte é estranha ou 2ª) é indemonstrável, porque é variável (ou passível de variação) de leitor a leitor.

Daí, o poema não ser parafraseado ou traduzido, sem perdas essenciais de sua expressão. A simbolização inerente ao poema não (nunca) se refere a algo exterior a ele mesmo. Não subsiste referência a algo fora do poema e do poeta (ou do leitor). Então, poema não é veículo (e não pode ser) ou meio, ou forma, de comunicação na acepção real dessa palavra.

A intenção ou o impulso de expressar é vital à poesia. Caso contrário, é qualquer coisa (mesmo que se chame poema), mas não é arte. Não é criação, é corrupção do verbo.

O má poema é duplamente ruim. É como obra de arte verbal falha e é também falsa. Dupla, porque uma é falha de expressão. Outra é pura inexpressão.

O poema livre é o contrário de arte pobre, falsa, inexpressiva. A arte poética é só arte verbal. Não é ofício, sonho, técnica. Outra coisa. Só poesia.

O que se sente (o sentimento que se tem) de um grande poema é sublimidade. O impacto da expressão. O universo infinito e abstrato criado concretamente pelas palavras-em-poema.

É em síntese o (um) sentimento de excitação e mesmo gozo estético que jaz na obra de arte verbal.