NOVOS DOGMAS Versão para impressão
Escrito por Administrator   

Ao leitor interessa o lixo zeloso do poema. Da cinza da leitura, ele retira o pássaro do sol.

A poesia em seu estado absoluto depõe os meios de assumir a nova visão (disideologizada) do leitor. Um mundo realmente poético e consequente, despido de máscaras e simulacros. Realmente poético e complexo. Hoje, qualquer um lê – há livrarias (emboracaras) e, embora poucas, bibliotecas. No entanto, a recepção (desse tal leitor) falha, se o texto não for facílimo (e, pasmem, romântico, na acepção vulgar). Oh, meu amor angelical, de tanto te amar sou plural. Oh, anjo, te amo como a um banjo. Ou: Garota, você é anjo ou demônio? Vejo fogo em teu corpo, brasa em teus olhos, coivaras entre as pernas...

 

É qualidade vital do texto poético novo ser imprevisível e desorientador ao máximo, retirando violentamente leitor da zona de conforto etc. O texto poético novo deve obrigatoriamente desestabilizar o leitor, inverter seu pensamento, anular sensações, causar agonias. Causar mal estar poético(fruto da poesia, nele).

Não a qualidade interpretativa, de conhecer logo todo o texto, pois a interpretação se alicerça na coerência que não existe em tais textos. Porque outra qualidade da poesia absoluta é ser radicalmente incoerente (e assistemática ou agramaticália).

“A leitura está no texto, mas não está na escrita (pois é leitura, é do leitor): ela é o futuro do texto “(Dixit Barthes). O texto por vir a leitura traz.

Todo leitor de poema absoluto deve ser (um pouco) delirante, sob pena de sobrar. Todo livro de poema absoluto, que Deus o livre de leitor fácil. Todo poeta absoluto espera que seu leitor (se houvesse) vá muitoalém dele, na medida maior do sentido textual.

O texto absoluto é um infinito labirinto de finitas saídas (muito poucas, aliás). Se todo texto é um labirinto, o leitor é touro ferino. E a vertigem do labirinto atordoa. E U. Eco é narcisa ática.