POESIA ABSOLUTA E RELATIVA Versão para impressão
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Poesia não verifica ou esclarece fatos.

Função específica e privativa da prosa.

Ou da filosofia, quiçá.

Por meio da filosofia, se aclaram as proposições. Por meio da ciência, os acontecimentos do mundo são verificados ou refutados. Preconceitos também.

À ciência, interessa a verdade ou não dos significados. A filosofia, o que significam ou não as proposições. Seria a ciência da linguagem real.

Já não seria tarefa da filosofia dizer o que significa o mundo, o homem, o amor, a liberdade, a moral etc. A filosofia não mais diz, ela opina sobre o que os outros dizem, a partir de como o digam, via linguagem. À filosofia, só interessa expressões, proposições, frases... e distingue as com ou sem sentido.

As proposições com sentido são verificadas para distinguir se são verdadeiras ou falsas. As sem sentido não mais são do campo filosófico, mas do âmbito da poética absoluta. Território privativo poético absoluto.

O campo da poesia absoluta engloba o universo existente ou por vir das palavras, sintagmas, frases, proposições inverificáveis, ininteligíveis ainda, portanto irrefutáveis, que são nem falsas nem verdadeiras. Palavra ou discurso que estejam no limbo da significação concreta.

O poema absoluto não pode ter sentido nem para quem o anuncia, se não torna-se poema relativo. Nem para leitor, desde que esteja lendo poema absoluto. O sentido é o poema. A forma é o poema. A mensagem é o poema absoluto. Fora disso, não faz sentido ser poema absoluto.