NOVA SENDA DO ROMANCE Versão para impressão
Escrito por Administrator   

Li – e me surpreendeu – o romance de estreia – o que é raro, de Maviael Medeiros, Botão de rosa.

A partir de um título simples – mesmo banal, envereda-se num livro animal. A trama envolve o imaginário em ação de um esquizofrênico, o personagem de Botão de Rosa, criado por um autor aparentemente perito psicanalista. Que loca a história em Garanhuns e Recife. No entanto, interpreto que, tanto o autor como sua criação, nunca saíram de Garanhuns. Igualmente, Maviael nunca foi a Paris, mas descreveu essa cidade melhor que qualquer parisiense.

No entanto, o segundo romance de MM, UM RESGATE NO TEMPO, amplia meus horizontes poéticos e críticos.

Tenho para mim que o artista literário é aquele que não artesana, mas inventa. Tudo a partir da palavra ou do barro do verbo. Um dar de ombro, a diligência, a disciplina e o labor de um exercício cuidadoso... e cria-se uma nova medida fundada no il furore dellarte (êxtase artístico). Poucos – nenhuma em Garanhuns, e menos à vista em Pernambuco, até o que conheço (vivos), chegaram onde Maviael está a ir. A chegar. E nem ele, Maviael, sabe bem disso.

Maviael, como Barthes pontua, reescreve o texto da obra dentro do texto da vida, tudo, diga-se de passagem e eternidade, dentro do círculo livre da ficção – criativa e imaginária.

Maviael Medeiros – como grandes romancistas – reescreve o mesmo texto, em tempos e locações diferentes, sempre a escavar novas e inusitadas nuances. Para confirmar, recapitulo Botão de Rosa: a história de uma vertigem, histeria, sonho vivo, de um personagem maviaeliano que é um triunfo, uma criação preclara da imaginação sã (de pureza, de caráter, vernáculo, estilo impecáveis).

É o romance expressão estética intensa da vida em sitrações-limite do tempo e da existência. Antes de me imiscuir na essência desse livro abro parêntese.

O espanhol tem uma expressão: “ingenio”, aplicável como luva ao romancista. Que mescla gênio com engenho. E MM por sua engenhosidade genial bolou trama sobre mera história de amor, que enlanguesce, embevece, faz-nos crer e descrer. Ser e deixar de sê-lo. E enlouquece leitor possuído da ânsia de saber o deslinde do enredo.

Romance para ele não é conflito da alma, degladio do espírito, rebelião demônia. É a inteligência calma – e sem o desvio da vaidade, a práxis viva de um homem sério com experiência nas literaturas portuguesas e francesa. O critério imaginativo em ato de criar algo novo (sem desprezar o velho bom).

MM não se mutila, não querela, não explode – nem se confessa pecador, etc, não se entusiasma com algo que postasse em perigo a nova linha de continuidade criativa. Não copia ninguém. Só interioriza influências fortes e vivas.

Conta uma história de amor, nos dois romances. Uma opção definitiva em Maviael – que impregna seu estilo (e o funda) é o tema do indivíduo (do ser em si) e não da sociedade (do outro).

Retrata luta interior fora do palco tumultuoso do mundo. Vilegiatura em cidades calmas, em praças doces, em ruas clássicas, de Recife e Paris.

Ele opta pelo drama ingente (em gente) da pessoa imersa na riqueza da vida interior (não íntima). Não há família, multidão, selva de personagens. Acontecimentos tais os que aborreciam a Valéry.

É uma nova vertente do romance. Uma história de amor imaginária. Sem sexo ou carne. Sem pele, só alma. Não psicológico nem sociológico, não político ou sexual. Porém avançado, porque centrado no eu, não no nós. Que unta leitor de interesse e perplexidade.

MM incuba em seu processo criativo a solidão do ser perante esse deserto vivo árido e impuro da vida hoje – e desova sua aversão. Se há evasão é a da imaginação, do imaginário humano real ativo, tal como Bachelard conceituou em uma dezena de livros.

Maviael Medeiros – para mim já revelação do romance brasileiro, sublimou a angústia. Sarjou todo aquele ar místico falso, planejado para obter reação meio religiosa. Porque tem consciência de sua responsabilidade como escritor, conteve-se. Inovou dialeticamente mesclando lirismo, ficção científica, conto de amor, o romance português e francês do século XIX com o viês pós-moderno.

Recusou a cópia que impera de Thomas Hardy a Mann. E Dostoiévski. E assim abre nova senda ao romance.

Oculta entre árvores no fim de uma estrada sinuosa que margeia o célebre rio Spey, das ainda mais célebres Highlands escocesas, a destilaria Knockando completou seu primeiro centenário como uma das mais afamadas no mundo do whisky.

O princípio básico, vital que cria, têmpera do Glenlivet genuíno pure single malt scotch whisky da mais alta qualidade e produzido com grãos da mesma colheita, sempre na mesma destilaria e resultante da mesma safra de destilação. O único grão que entra na produção do Glenlivet é a cevada, devidamente malteada pela interrupção do seu processo de germinação por meio do calor. A essa vital cevada malteada acrescenta-se o segundo grande segredo deste whisky: a turfa, um tipo de carvão vegetal encontrado em abundância nas terras altas escocesas. A queima da turfa no processo de malteação da cevada transfere para os grãos beneficiados um componente “defumado”, que dá o gosto todo especial do genuíno pure single malt scotch whisky: Igualmente fundamental na personalidade do Glenlivet é a água, proveniente de nascentes próprias.

A nobreza dos ingredientes usados na primeira etapa da destilação do Glenlivet tem continuidade etapa seguinte, de envelhecimento. Uma fica armazenada em grandes barris de carvalho, outra parte vai para pipas que antes contiveram xerez e uma terceira parte fica nas simpáticas bogsheads, ou boggies, como se diz na região, pequenas barricas com capacidade de 63 a 140 galões imperiais (cada galão imperial equivale a cerca de 4,546 litros). A última etapa, o engarrafamento para comercialização, demora um tempo que varia entre 13 e 15 anos. A imprecisão, no caso, é mais uma garantia de nível superior, pois só depois de 13 anos o máster blender prova pela primeira vez aquela preciosidade guardada em barris, pipas e barricas. E ele só dará sinal verde para engarrafamento quando se convencer de que está ali um potável uísque Glenlivet, o que às vezes costuma exigir mais um ou dois anos de envelhecimento. Nesse ponto, uma parte da produção vai compor o blend do whisky J & B. Outra parte vai para o consumidor final, que se delicia com este magnífico purê single malt scotch whisky. O Glenlivet é um whisky de aroma seco, com toques de fumo, e sabor que evoca levemente a hortelã.