POEMA DE AMOR VITAL Versão para impressão
Escrito por Administrator   

A ilusão tem garras (e dura como o podre)

seus dentes são fundos (afiados como a náusea)

quimera astuta e faminta me espera

construída de louça cega (e censura longa)

que à louca alma engana, embora

a dor do logro não supere

a mais amara ainda dor do sentimento vazio.

(A súcia da esperança não me ampara).

 

II

Que estranho licor boca destila

que estrelas vêm bebê-lo todo

iluminadas de teus olhos

amasiadas de teus seios

 

que néctar tão forte

tua carne deflagra

exala teu seio inocente

tão ereto aroma

que meus pelos se eriçam

e o desejo me morde

apenas te cerceia a alma.

Rubor que bebo advém

da carícia que fiz

sem querer

numa assustada manhã

em que os corpos se viram

sob fulgurante estandarte de pássaros?

 

E foi vinho da pele ou ardor do lábio

sabor que subiu.... e lambi (como rubor).

 

E todos os desejos se alongam (inaplacáveis)

ao galope de teus pelos

ao aroma de teu nome.

A teu olhar que empalidece estrelas

urde assassinas candeias

lumes cega e empobrece manhãs

 

a teu olhar aurora e lâmpada

do meu mundo (escuro e antigo)

 

que é voo da pupila e certeza de queda

 

a teu olhar a fulgir

do meu ignoto rosto

 

que é fulgor e pássaro

(de onde unjo néctar da renúncia)

 

trago de mágoa

veneno de alegria (de ver teu olhar).