POÉTICA E APORIA Versão para impressão
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Cláudio Veras

Na escritura poética de VCA é preciso renunciar a toda aborrecida montra teórica academicamente disponibilizada (criadora de críticos mecânicos)

e voltar-se ao sentido primal da palavra poética como tecido aleatório e proposital, causal e ocasional (mesmo acasional), dialético, de palavras libertando-se de suas fantasias terrenas e fantasmas de suas servidões senhoris e apresamentos dicionários. Considerando o texto como o que as palavras disseram, o que deixaram de dizer e o que dirão, simultânea e sucessivamente (como uma mó gira e gera-se mas renova o pó).

 

Texto que alude, repete, copia o inédito, plagia-se, tapete de uma Penélope incrédula, porém persistente, que nunca se destrói mas se transmuda sempre, meada a que nenhuma Ariadne renuncia, cujo sentido é uma encruzilhada de testamentos de palavras (legados do mundo verbal, rico, pródigo, universal), um entrecruzar de destinos verbais vivos, limites urdindo seus próprios desvãos e condições de suas ultrapassagens, das superações (inerciais ou não) dos sentidos, constituídos de uma trama líquida de veias comunicantes, vasos de luz regando coração escuro, gotas de sangue pulsando como abelhas numa colmeia de assombros, que é o texto poético (nada “poético”) de VCA.

Em suma, soma de adjetivos desordenados (violentando sentidos) cavalgando substantivos selvagens, monte de similitudes forçadas, prisão de verbos vulgares condenados ao descrédito e à liberdade. A (in)domesticar metáforas inexpugnáveis (e inderrubadas fortalezas de símiles).

Em VCA, a imagem é o corpo da poesia, a metáfora, sua alma.

É como ele disse num dístico: “O vinho da palavra chama-se metáfora/ sua embriaguez poesia”.

Enfim, questão vital é distinguir em sua escritura metáfora e metonímia.

Busco arrego em Jakobson: Assim, num estudo sobre a estrutura dos sonhos, a questão decisiva é saber se os símbolos e as sequências temporais utilizados estão baseados na contigüidade (deslocamento metonímico e condensação sinedóquica freudianos) ou na similaridade (identificação e simbolismos da safra de Freud).

A verdade final é que Vital está sempre recém-inventando sentidos, cada vez mais novos, cada vez mais vivos.