TRINTA E TRÊS POEMAS Versão para impressão
Escrito por Administrator   

Silenciosas como o musgo e azuis.

Manuscrevo direto do id.

Esse tempo atravessado

de penúria e submissão exacro.

 

Poesia é explosão e desregramento dos sentidos.

Desde Rimbaud e sempre.

Cristaliza o caos verbal intenso

e irrepetível.

Poesia... açor do céu do verbo.

O abismo beira o desespero.

A página espera o poema.

Como o lábio ao beijo.

Como luz de poeira amara.

Ou de estrela de lodo e sílaba de cenoura.

Começa mais um anestésico dia, enfim.

Parto a parto fechada a ferida aberta como coxa.

À maiêutica do verbo novo.

 

A unidade apodrecida, o povo desreunido

migalhas desaparecendo, urtigas devolutas.

lendas e endoendros, além de úmidos diedros.

 

Tarde escurecendo os rostos dissolvidos.

Cru é pior. Melhor cozido de elefante.

De corredor de boi ou caldo de piranha.

Como fêmeos turbantes deturpados atraindo ímãs nus.

 

Manchas do sol da pele noturna se abeiravam.

Como manhãs dos últimos cemitérios

O sacrifício da lua era impiedoso.

Lampejos de ébano fincavam-se no sangue coagulado cedro.

Aurora de greda vinha devagarzinha.

Dos implacáveis cálices sobraram lábios. Meio pútridos, apenas.