À MORTE, MULHER Versão para impressão
Escrito por Administrator   

Se a morte for bela mulher jovem porque eterna

fêmea negra e poderosa

de ancas escuras e atentas agudas

se nos olhos mortais trouxer trevas azuis

tentarei beijá-la

oferecerei os préstimos

de minha alma erótica

o paraíso

do meu espírito ereto.

 

Eram templos azuis teus olhos

neles orava o abismo

ajoelhado ante o ébrio / esplendor da íris.

 

Céus, rios de luz feridos, lançavam as pálpebras / a teu rosto de anjo

e reluzia a face / sob guante agudo e abisso.

 

O mundo traía reflexos

Eu me via neles / como narciso cínico.

 

Nos teus olhos lagos recolhiam profundezas

do abismo azul dos olhos.