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Escrito por Administrator   

Na cabana de bambu sobre um pântano onde vivo metade do mês, ouço claramente o chilrear das rosas e o alado odor dos pássaros que aromam a ceva.

A noite, ao uivar da lua cheia, me sinto lobo. Ou pêssego cilíndrico. Ou ângulos lunares. Tornam-se dourados os ímpetos vitais. Tirito de calor. Amo o frio (de Garanhuns e do Retiro do Espirito).

 

Da Venezuela, a cadência da salsa me enlouqueceu, até hoje. Agudo e doloroso grito não aclamo.

O silêncio é meu país. Temo fogo castanho. E valsa de relâmpago. Além de pétalas pétreas e os cones que abraçam as abelhas.

Pretendo me aposentar dos livros. E só ler inscrição de mausoléus, poemas em unhas, versos de torsos, legendas em superfícies rotas, poemas cravados em fêmures, tíbios versos, aforismos cadavéricos em perônios, teorias de tornozelos indeléveis e livros publicados em sopros selvagens ou na espessura dos pássaros.

26.08.2015