ELEGIAS GRAVATAENSES Versão para impressão
Escrito por Administrator   

(Meditações de cacto)

À ineptude da palavra poética ergo brado

trânsfugo grito côncavo brando

poluído trago, traço iníquo, canto, lanço

pontes extremas pelo rio lasso

da madrugada sob

lua congelada

diáfana volúpia rego com árduo metro de lágrima.

 

A incompletude da linguagem do poeta é clara.

 

Meridiana a significação baixa

(pela vontade domesticada

pela consciência, essa imperiosa operária

ourives da palavra, buril do verbo criador).

 

À perda de substância e forma da palavra

(sua desvitalização ordinária)

a um mundo vezeiro e useiro da usura como arma

brindo com cálice escuro, cega suja taça

aos aceiros do lixo a gusa dos diademas

à ordem das coisas díspares, fractas

venenos fiéis à veia urdo

aos frenesis da cura me ofereço súcubo.

(A miseráveis pedófilos (párocos sem destino)

vermes vivos, excrementos humanos

corja de doentes, enfermos da vida

bando de pústulas, saco de vômito canto).