VOZ AGÔNICA Versão para impressão
Escrito por Administrator   

Voz agonizava na tarde ébria

bêbado verbo aguçava ares

bares armazenavam sede

em barris de sonhos

entrevista nos lábios, entremorta na tarde

entremostrava-se no copo o resto da vida.

 

Dos góticos vitrais emanavam

luz francesa, cores infinitesimais

as entranhas da nave rugiam.

 

Tudo o que instiga a nostalgia:

barbitúricos de ouro

alucinógenos verbais e rosas enfermas

o barro do futuro brotando da página

o que extinguia a vida se consolidava.

 

E a voz de um ângulo em agonia

era a ópera do desespero.