POETA E LEÕES Versão para impressão
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Leões estraçalham crepúsculos

farejam auroras, lambem leves

púbis de gazelas enquanto

centopeias acariciam imo nu do orvalho

e abetos bebem ruínas.

 

Leões espreitam úmido ventre da manhã

voluptuoso rocio sugam enquanto

abro carapaças (ou ditirambos)

e busco da boca dos moluscos

brilho de ladainhas úmidas, cálcios rurais

(da imaculada concha prisioneiro

da pálida e lenta cerâmica servo).

Sobre noite singra dia emigrante

em lenta nave de papoula sombra voa

 

vem lua num cavalo jorge

de brocado verde e galope fulvo

 

nau da hora veloz veleja

sobre dorso de trânsito e leveza

 

mar veloce  como fonte

da ébria água do rio primevo

 

corre como farelo

arrasta seixos e cinzas de urzes.

 

Lâmina dos fatos degola

ego do antes agora.

 

E sempre.

 

Harpas de cedro cantante

dá Salomão à rainha de Sabá.

 

Do Líbano julgamentos de cedro

como touros enfrentando o rosto oeste.

 

Cálice (cheios) de lumes

cubos de bronze acesos

êxtases geométricos e gozo dos ângulos

pesa os utensílios

dos corações dos sinos.

 

Recôndito e raso vaso vaza em mim.

Sons ósseo ouvirás

ósseos sons das náuseas da palavra

erma na página egolátrica.

 

Do big data ao big brother

quanto?

Um bit ou dois,um quantum ou mais

uma lata ou meio ósculo?

 

Poema à luta do renhido seio

da moçoila que a juventude rebela

(e hormônios harmonizam com o mundo)

para escapar do jângal da blusa

para alargamento providencial do decote.

Pó e vitupério

macias apostasias

contritos axiomas

aporias de cobalto e celeuma

deus desolado com as criaturas

só o tempo sela o lábio

e desamordaça o poema

a metade do tempo que se vive

não é bastante

para ouvir esplendor tão nítido

quanto a treva

poucos verão o poema

(primavera absoluta)

muitos o amaldiçoaram

(seu som e insensato sentido).