PARALÉNS Versão para impressão
Escrito por Administrator   

O cerne de poesia é a forma que o conteúdo dê ao poema... e essa matéria é transcendente, isto é, transcende o nível prosaico,

físico, metafisico, corporal ou sentimental do, digamos, tema, assunto, objeto ou o que a inspiração proponha, no âmbito restrito do seu superficial campo.

 

O poema faz, torna complexos temas e assuntos simples, para ser poesia.

O caso ontológico (absoluto), a problemática do ser, em si mesmo (e em outro o sendo), o ato do ensimesmamento radical – e arredores, é o vital nutriente da poesia absoluta. Que é produto da ação do acaso da palavra, pura liberdade.

O conhecer (poético) de si para si, pois em si para o outro de si.

Ela nos leva – a poetas e leitores não relativos (a tradições arraigadas na mente em passando) a todos para além de nós mesmos (ou não) – para a usina do real que o demiurgo cunha e opera poeticalmente. Para muito além de situações dadas, mas invividas, ainda não gastas pela mal-vadeza da vida. Situações dadas (e consentidas, obrigatórias ou não).

A poesia como fazer (ler O fazedor de Borges, por favor - poesia autêntica invencível), o que deriva de sua concepção grega original Poiesis, ação verbal, movimento sinuoso, insinuante, incisivo, descontínuo, obliquo, incerto, como que impossível, do verbo, qual demiurgo em catarses sucessivas.

A poesia impõe a palavra para o âmbito de fazer ser... sumo da libertação que o versolibrismo, em sua face, natureza, dimensão absoluta concede (a quem hoje poete com consequência (comcon).

Poeta – como tal e absolutamente – deve estar em situação de sair de si (do estabelecido para ele) e guindar-se ao absoluto – pódio da poesia que meça o futuro da palavra. Liberdade que se lhe concede – concessão e dever vital, a poesia sem peias (relativadas pela empresa da métrica S.A., pelo cálculo capitalístico da rima regulamentar).

Esse estado da forma que alimenta o poema absoluto, esse status novis, esse lócus do verbo, essa desarmonia do caos criativo, viagem extraliteral, caminho nu não ermo é de propriedade da PA. Tal transporte catártico, capaz de purgar a alma leitora e poeta, exige o passaporte da METÁFORA – o que o Prof. Admmauro Gommes bem explica no ensaio Hipermetaforização da palavra.