A MODERNIDADE MATA TANTO QUANTO A MONOTONIA Versão para impressão
Escrito por Administrator   

A modernidade do imenso me cansa

a monotonia do cansaço é imensa

a calmaria da água contamina a alma

o invariável decurso do tempo em meu espírito

destroça o espaço que sou

as fugas do sol me escuressem

decorações mecânicas e avarias líquidas

me arruínam os olhos e o barco

suga do mar imóvel âncora sutil

para não permanecer sem a dor da vida.

Ao monótono mar desprezo ou retalho.

A escoriações de coices (coriácios) louvo.

 

O instante infinito é meu

do paiol de relíquias o retiro

e no sítio do coração o penduro.

 

O instante infinito permite

que eu corteje a cidade em delírio branco

me concede o penhor do súbito ò espírito do moderno.

 

O infinito instante é duradouro

como uma virgem ou louça de cio

é instantâneo como fagulha de vento.

 

Águas metálicas extensas como a noite

prateadas de lua em circunvolução algébrica

entretecidas de épuras e líquidos matizes.

 

Como aves coloidais ou pássaros mentais

de voos triangulares são meus ancestrais

que à estirpe da palavra dedicarem o sopro.

 

Amo os poentes do páramo etéreo

suas imensidões sem ventre

e amarelas aleluias.

 

O céu vespertino me agrada a alma

me concede visões imponentes do ocaso

me laureia com fugaces belezas.

 

É de prata viva esse céu insone

e de líquidos topázios sua face ávida

e geometrias carmins o condecoram.