06
Seg, Abr

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 Sono do poeta de seda

de ávida nuvem o rosto

infestado de desejo e espera

da palavra que venha grávida

de desespera e serva.

 

Copor de poeta tem brancura

de lento fêmur de touro

e testículo de anjo

e cor da noite hiante.

 

Horizontes dormem em seu dorso.

Em sua clavícula amapolas se levantam.

Saudade de poeta é de cambraia azul

(e o cetim do olhar aluina).

É de seda carnívora sono de poeta.

 

(poema bem autobiográfico)

 

Murilo Gun

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