“A rosa é sem porquê
floresce por florescer
não olha para si
nem pergunta
se alguém a vê”
Ângelus Silesius
No início da eternidade quando
as coisas eram impuras e sozinhas
e os sons uníssonos (mas cansados)
– o botão do bigbang ainda não premido
ainda não acionada a catraca das horas
quando o orvalho copulava com a borboleta
a céu aberto, em lento campo de papoula
no leito dos cálices ouvindo agudo néctar de flores
quando estrelas amavam sombras
e espelhos cegos já sonhavam com narcisos
quando rosas eram irmãs de espinhos
e nas pradarias febris primaveras nuas se estendiam.
No começo da eternidade quando
as horas ainda dormiam
e Deus não acordara sequer
(o sopro perambulava nos precipícios azuis, quase abandonado)
e as coisas estremeciam sozinhas
( o éden era pura solidão).






