Sede de poema tenho
que não sacia a palavra
jorro, revolto rio de imagem, catadupa
de figuras mentais, esboços flutuantes
do Siloé e do Averno
escaneio o verbo, extraio
positrônio brilho (galáxicos)
dos neurônios da poesia reunidos
na praça de barro do verbo acantonado
no limbo da palavra margem
bilhões de feixes, redes de trilhões de sinais
trocados entre sílabas e almas
comungadas como demônios agrestes
sina em curso eu curto
na página da alma de papel, o poema.
Amoniaco cozinhado com maníaco fogo
de rito agrário em pedra boticária de moer.
Aroma de brejo subia de teu lábio.
Voz de arnica, gesto de mimosa, drágea
de efemerina-da-virgínia e pose de miosótis
era tudo que eu tinha.
Posto de incenso seguia minha narina
clamor da ágora espírito alimentava.
Mescla de fétido terebinto
e lúbrico aroma de mulher no cio se misturavam.
Como velha podre dissecada e menisco de ervilha.
Vozes dos nuezins comemoraram bravo tiranocídio.
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