06
Seg, Abr

destaques
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Sede de poema tenho

que não sacia a palavra

jorro, revolto rio de imagem, catadupa

de figuras mentais, esboços flutuantes

do Siloé e do Averno

escaneio o verbo, extraio

positrônio brilho (galáxicos)

dos neurônios da poesia reunidos

na praça de barro do verbo acantonado

no limbo da palavra margem

bilhões de feixes, redes de trilhões de sinais

trocados entre sílabas e almas

comungadas como demônios agrestes

sina em curso eu curto

na página da alma de papel, o poema.

Amoniaco cozinhado com maníaco fogo

de rito agrário em pedra boticária de moer.

 

Aroma de brejo subia de teu lábio.

 

Voz de arnica, gesto de mimosa, drágea

de efemerina-da-virgínia e pose de miosótis

era tudo que eu tinha.

 

Posto de incenso seguia minha narina

clamor da ágora espírito alimentava.

 

Mescla de fétido terebinto

e lúbrico aroma de mulher no cio se misturavam.

 

Como velha podre dissecada e menisco de ervilha.

 

Vozes dos nuezins comemoraram bravo tiranocídio.

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Murilo Gun

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