Grito de pedra, unguento
de aço e musgo: como o gozo.
Pedra, grito, muro, uivo
musgo grávido, messe
e unção de sêmen vivo.
Hortos frios, além do corpo.
Nada há entre poema
e o que poeta tenha a dizer.
Entre poesia e querer dizer...
A caverna ou urna platônica
de ideia inacessível e essencial
é o lugar da poesia, sítio
onde poeta beba a verdade
poética maior, voraz, veraz.
Quando você (leitora)
e palavra não se entendem
é que o mundo começa.
Começa a modernidade, o dia real.
Retire, extraia, puxe da forma
das palavras os temas do romance.
As potências das palavras conflagradas
se expõem como fratura
na página de que leitor é náusea.
É na lauda - nunca no laudo
que as harmonias do verbo
se tecem e expande a mente.
Harmonias possíveis ou não.
Descrer da poesia é ir a ela.
Na verdade e na realidade
aparentemente vitais reside
o mistério da palavra.
A modernidade é morta.
Daí, vem a seiva que acorda a veia poética.
O sumo que pulsa na página.
Pã ainda não morreu, mas
flores e florestas perecem.






