06
Seg, Abr

destaques
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Grito de pedra, unguento

de aço e musgo: como o gozo.

Pedra, grito, muro, uivo

musgo grávido, messe

e unção de sêmen vivo.

 

Hortos frios, além do corpo.

 

Nada há entre poema

e o que poeta tenha a dizer.

 

Entre poesia e querer dizer...

 

A caverna ou urna platônica

de ideia inacessível e essencial

é o lugar da poesia, sítio

onde poeta beba a verdade

poética maior, voraz, veraz.

Quando você (leitora)

e palavra não se entendem

é que o mundo começa.

Começa a modernidade, o dia real.

Retire, extraia, puxe da forma

das palavras os temas do romance.

As potências das palavras conflagradas

se expõem como fratura

na página de que leitor é náusea.

 

É na lauda - nunca no laudo

que as harmonias do verbo

se tecem e expande a mente.

Harmonias possíveis ou não.

Descrer da poesia é ir a ela.

Na verdade e na realidade

aparentemente vitais reside

o mistério da palavra.

A modernidade é morta.

Daí, vem a seiva que acorda a veia poética.

O sumo que pulsa na página.

 

Pã ainda não morreu, mas

flores e  florestas perecem.

 

Murilo Gun

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