Sábio fende com fachos fúteis ou anchos
tendas (vazias?) do ignoto
com afinco extingue vestidos do obtuso
e é quem com peixes raros fere
dos mares incultos redes do inútil
e lança do obscuro tímpano
luz que o revela (de orelha a orelha)
como desnuda relâmpago olho da pedra.
Sábio com tochas destras arrosta arcanos
e oferece sombra das entranhas
ao vago sol das artérias nuas
coabitadas do azul que hemácias deixam
nos muros marinhos onde
gota de luz vaza como seiva
que o lume acalma (ou o ralo ganha).
(Lâmpada sinistra válvula ao coração endireita).
Note bene: Não procure sentido gramatical ou lógico, entendimento
corrente, coerência sintática, exatidão de linguagem, enredo, coisa
dada, certeza num poema vital.
Não é o alento, é o árduo
não o intenso mas o cerrado (não a caatinga ou o cardo)
que adenso com sábia palavra
e frágil luz de sangue pensa.
Não escravo, senhor libertado.
(pós-epígrafe)
do gusano ao querubim
é a mesma coisa, dista
o mesmo instante, corre
o mesmo risco
(qualquer traço da alma humana)
a mesma metafísica
ronda a realidade
sob tabernáculo das estrelas
coisas uivem-se
sob dados da mão de Deus
cego jogo segue.
2005






