06
Seg, Abr

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             Para o estudioso da ciência semiótica (literária, no caso), Hjelmslev, “o sentido poético é, em si mesmo, inacessível ao conhecimento, posto não atender ao requisito prévio para tal. Pois, o sentido só dá-se a conhecer através de uma forma... e carece de existência cientifica fora desta.”

            O sentido amorfo buscado na poesia comum é só a matéria, elemento primário, original, oposto à forma (ainda, em conformatização), portanto, não formado, não configurado, mas em plena formação.

            Quando tal matéria for pensada como o que subjaza no fundo da forma é substância poética, não sentido, ainda.

            E a forma é a superior instância da substância, é o primordial no poético e se posta em uma relação de determinação ante a substância. Isto é, a forma poética é a condição necessária para que exista a substância e sua consequência. A forma atualiza o potencial da substância poética. A substância seria a matéria que se agrega à forma. Embora, a presença da forma não seja conditio sine qua non para a realização da substância poética, no poema. Este, apenas como substância, e com forma externa predeterminada, aparece como poema comum, corriqueiro etc.

          A forma linguística poética pode (e muitas vezes deve) desconsiderar o sentido, a mensagem fora e além do poema, o ímpeto ou viês de comunicação etc.

           A substância poética é precisamente esse sentido a se agregar à forma linguística, que a recebe ou não.

            A forma se manifesta ou não em uma substância (conteúdo talvez), desde que não deslize para o prosaico mensagem poética, participante ou não.

            E essa forma tem algo platônico. Para Platão, a forma suprema, totalmente pura, é ela mesma SEM FORMA. Ao que completa Kant: com uma finalidade sem fim.

            A poesia é uma forma. Não uma substância. Dixit Saussure.

            Na explicitação de Poesia Pura, em matérias que publiquei no jornal O Monitor – e em minhas revistas PAPELJORNAL, SINGULAR, ÚNICA e URUBU – demonstro que formas puras são formas sem substância, palavras sem sentido direto, imediato, completo. No sentido de que dispensam uma substância determinante para concretizar-se (como poema absoluto).

Murilo Gun

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